Li

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terça-feira, 21 de julho de 2009

TERRA FÉRTIL

Aqui jaz uma terra fértil cheia de minhocas e caramujos a espera de novas sementes: e eis os frutos crus. Quem os colherá? O jardineiro? Talvez! Mas dizem que Ele só colhe o que está maduro. O fruto que está quase caindo do galho. E ela ainda está verde. Verde e crua!

Ela quer o inacabado... o que está para acontecer...o futuro... o amanhã...o depois e o depois do amanhã. A fruta caída do pé!

O que escrevo não é um grito e sim um sussurro... Um sussurro de ave de rapina. Faltam-me palavras e como sempre o silêncio me consome. Logo eu que grito: - ALELUIAS! O sol bate em minha janela e eu vivo!

E os frutos? Não sei. Agora estão caídos no chão esperando o jardineiro que fingirá não ver alguns deles, para que germine a semente nascida sem se plantar. Amém! O milagre da vida!

E o Bagaço? Esse como sempre fica na beira do caminho, onde os pés nus pisam; os espinhos sufocam e o pássaro come. Come como se fosse seu único alimento.

Mas onde estão as palavras? Como sempre não sei! Então, nos comunicamos com os dedos e como surdos e mudos contemplamos a orquestra de violoncelo.

Cadê o silêncio? Ele pulsa entre os raios de sol que nos separa, entre a terra arada; entre a videira, entre o cálice de vinho, entre o átrio; entre, entre, entre, entre, entre...

Lilian Flôres