Li

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segunda-feira, 20 de julho de 2009

TERRA ÁRIDA

Ela estava deitada sobre a areia negra e ouvindo vozes trazidas pelo vento. Talvez só ouvisse as vozes que ecoava dentro de si mesma. Talvez? Talvez era sua forma de se disfarçar.

Uma voz cochichou que “o amor está para bater em sua porta”. Mas ela não tinha porta e sim janelas. E agora? Acho que não será desta vez. Sentiu que teria que esperar mais um pouco. Essa voz não era pra ela!

Outra voz sussurrava dizendo que “estava muito quente”. Queria saber o porquê, já que sentia um frio danado que a consumia, fazendo-a tremer e temer o vento nordeste. A outra suplicava: “eu também quero”. Querer é poder? Querer sempre lhe provocava medo. Querer para ela era um talvez.

A outra berrava em alto e bom som: “cerveja, refrigerante e água mineral!!!!”. Substantivo e adjetivo soltos ao vento para quem quisesse pegá-los. Quem pagasse, saciava sua sede liquefeitas em palavras.

E a outra disse: “muitos já encontraram o amor de suas vidas ali...”. Ali, onde? Queria ter visto o dedo ou os olhos desta voz. Perdeu! Ficou com a palavra, com o mar e areia preta que dizem curar dores.
As dores na alma também? Ela ingenuamente acreditava que sim, por isso permanecia estirada naquela terra árida misturada de sol e sal, até o fim do verão.
 
Lilian Flores (Em Balneário de Barra do Sul, Praia do Bispo)