Li

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segunda-feira, 20 de julho de 2009

SEMENTE

Ordeno-te que germines!
Lancei-te sobre o pó da terra e saciei-te a sede e tu, porém, preferes clamar por enxurrada ou sol de 40 graus; para que em vão continues a sonhar solitária sobre a cova rasa onde descansas. Ora, o sol te queimará viva, junto com teus sonhos encobertos de segredos e a chuva torrencial molestará teu corpo frágil carregando-te às terras pedregosas. Decide-te! Para onde queres ir?
- Quero apenas alimentar minha fome de terra. Não! Não me dê água. Estou farta! Há chuva demais sobre meu corpo aleijado, e eu bem sei que fomos feitos para beber. Mas agora. Agora eu quero comer. Comer! Comer apenas. Guarde teu regador ou lances esta água dormida sobre as sementes vizinhas, mas não sobre mim. Quero raízes profundas e a tua água me apodrecerá, porque na terra em que me deito a fonte está transbordante. Quero terra nova, cheia de húmus aquecendo meus sonhos profanos, onde me transformo em puro espinho. Porque há tempos que o jardineiro não passeia pelo meu jardim que fenece a cada dia por sempre, inutilmente, esperar.


Lilian Flôres