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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A Classe dos Professores sem Classe


Somos a Classe do Magistério, prazer! E eu sou uma professora sem Classe! Prazer! Confesso que queria ter Classe. Mas onde ela está? Foi para o ralo ou de lá nunca saiu? Não sei. Não saber é a liberdade que tenho para não entender a Classe que não tenho.
Enquanto, em pleno século XXI, existirem professores que acreditam, que deveríamos trabalhar por amor; que ensinar é sacerdócio; que tudo está bom e que se melhorar, estraga; continuaremos sendo uma Classe sem classe.
É a mais pura verdade, que o amor é lindo e um dos sentimentos mais nobres do ser humano, mas há uma diferença em fazer com amor e fazer por amor. São preposições distintas e que mudam totalmente, o sentido das palavras.
Trabalhar sem amor, eu acho quase impossível, mas também não descarto a possibilidade que exista uma minoria que atue simplesmente pelo dinheiro; ou pelo “orgulho” de ser funcionário público; ou porque já se acostumou e como diz Marina Colassanti: “A gente se acostuma com tudo na vida e que tanto se acostumar se perde de si mesmo”.
E mesmo não sendo um salário justo, para quem não estudou, ou seja, ficou na cola dos outros na faculdade; para quem não leu os livros obrigatórios e muito menos os indicados por amigos, professores, palestrantes...; para aqueles que só fazem um curso de capacitação se for em horário de trabalho e gratuito; para aqueles que tanto faz se o aluno aprendeu ou não aprendeu; pra esses, acredito que o salário, é até muito!
Ser uma Classe é muito mais que um crachá; é muito mais que ter uma promoção e hoje estar Diretora, ou Auxiliar, ou Gerente de Ensino, ou Secretária da Educação, ou.. ou …
Ser uma Classe, é pensar no bem comum a todos; é pensar que hoje eu estou aqui, mas amanhã estarei ali; é saber que existe a lei do retorno, planto tempestades, logo colherei inundações; ser Classe, é ouvir o outro, não para tripudiar, mas para refletir e mudar os rumos da história; ser Classe é muito mais que pagar mensalidades no Sindicato e fazer passeatas; é muito mais que escrever crônicas no facebook, como estou fazendo agora; ser Classe não é escrever indiretas, ou diretas, ou recadinhos de desamor, alfinetando as Otoridades; ser Classe, é não compactuar com as injustiças, se colocando na pele do outro, que tem um direito que muitos não tem; ou vice e versa. Enfim, ser Classe, é diferente de estar na Classe à toa, vendo a banda passar!
Daqui a pouco, publicarei a crônica e não tenho e nunca tive pretensões de ser ovacionada pelo poder, porque ele não me seduz. Porque uma vez seduzido pelo poder...Shazammmm Quem leu Foucault, vai me entender. Escrevo para a Classe e como Classe. Escrevo pela simples necessidade de escrever. Escrevo porque os assuntos transbordam meus pensamentos, me provocando uma ligeira coceira em meus dedos. Escrevo, porque escrevendo, reflito comigo, contigo e convosco, não exatamente na mesma ordem.
O que me intriga, é ver uma Classe que não lê ou lê e não entende o que as entrelinhas do discurso estão dizendo. Ou melhor, lê e como a carapuça cai como uma luva, acha melhor não curtir e muito menos comentar para não se comprometer com Classe. Tem aqueles também que não se manifestam como Classe, por medo, por sentimento de culpa, por inveja... E há de não se esquecer, dos egocêntricos, que acham que a crônica tem endereço único: cheque ao portador! Ah, me poupe!! Ela nasceu em mim, dentro de mim, claro que, antes de ser a remetente, sou a primeira destinatária, com muito prazer, da Classe que não tenho!


Lilian Flores