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sábado, 14 de novembro de 2015

TER ou SER

Vivemos em sociedade de consumo que impõe uma ditadura do TER. Se VC é uma mulher morena, quer ter cabelos loiros. Segundo pesquisas, é a tonalidade mais vendida. Se é loira, quer torrar no sol para ter a pele das nativas morenas. Mas se vc é um homem, a cobrança é na quantidade de músculos produzidos na academia com super dosagem de anabolizantes em casa.

Não basta ter saúde, caminhar no calçadão, sorrir, andar de bicicleta, cumprimentar conhecidos e desconhecidos, andar descalço, sentir o vento na cara... É preciso sempre mais, sempre além...

Além da cobrança pela ditadura da beleza, há também uma cobrança pelos bens de consumo. Não basta ter um carro, é preciso o carro do ano, o lançamento... Nem que isso custe um carnê da grossura de uma bíblia!! Não basta ter uma casa, é preciso duas, três, ou uma mansão! E o pior, as casas grandes não são feitas porque se pretendem ter muitos filhos ou para receber visitas, como era o pensamento de alguns de nossos antepassados. As mansões ou apartamentos duplex, existem para ostentar uma família que, muitas vezes, é de fachada, ou formada por filho único, o novo hit do momento!!!

Ter, ter, ter para arrotar um "falso poder" de importância, que somente pessoas vazias de si mesmas, dão. Claro que não é pecado ter um bom carro, uma boa casa, entre outros bens que satisfazem nossa alma, nosso ego, e claro, nosso corpo, porque ninguém é de ferro! Quem não gosta de uma piscina para se refrescar, um boa cama para dormir, ar condicionado em tempos de calor?

O problema não está em querer TER coisas boas, mas o problema está quando o TER se sobressai ao SER. Para dar o que o filho quer, alguns pais se sacrificam, fazendo hora extra, vendendo o almoço para comprar a janta. Para o marido ostentar o carro do ano, a esposa arranja dois ou três empregos. E por aí vai a roda gigante do consumo...

Substituem beijos e abraços por bate bocas, devido as contas que estão vencendo ou vencidas. Substituem finais de semana no parque, ou na praia, ou embaixo da árvore, ou na rede, ou até mesmo assistindo TV em casa...por horas extras, por bicos, por serões, por dinheiro!

SER feliz hoje, está atrelado a TER coisas. Parece ser impossível SER feliz sem ter um carro zero, ou sem ter uma casa no campo e outra na praia, ou sem ter a roupa de tal marca, ou ou ou... É NATAL o ano inteiro no matadouro do Mercado de Consumo!!

O meu sinônimo de felicidade é poder SER mãe da Clarice, é poder SER filha da Sandra e do Cantalicio, neta da vó Olga e da vó Onca (Verônica), do vô Janguinho (João) e do outro vô Jango (João também). E bisneta da vó Melinha, vó Ana, vovô Cantalicio e vó Lili. É poder SER irmã da Katiuscia Flores , da Maitê, do Cesar Augusto Flores e de Jesus.

Afastada pela primeira vez de sala de aula por motivo de saúde, é que percebi o quanto sou FELIZ sendo professora de uma das matérias mais odiadas pelos alunos. Porque ou VC ama português, ou VC odeia. Não existe meio termo! Eu AMOOOOO!!!!!

Mas também SOU feliz estando em casa e cuidando da Clarice mais de pertinho. Porque sempre fui dona de casa nesses 5 anos de maternidade, mas nunca estive em casa. E SER dona de casa, estando em casa, é muito bom também!

SOU Feliz também sendo Cristã praticante, ou seja, tento praticar, esforço-me, nem sempre consigo, mas água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. (Risos) É preciso perseverar. Nunca desistir! Uma hora chegamos lá!!

Precisamos ter cuidado para não deixarmos de lado certos VALORES que são perenes, para trocá-los por coisas que a ferrugem corrói e a traça come. Se entrarmos nessa vibe do consumo desenfreado, ditado pela mídia, pelo mercado, pelo sentimento de inveja de ter o que o outro tem; podemos ver o "castelinho de areia", que foi feito para alimentar esse sentido distorcido de FELICIDADE, ser facilmente destruído por uma enfermidade, ou por uma traição, ou até mesmo uma  separação, entre outros males que não vem na bula do consumo doentio.

Eu escolho SER filha do Grande e Poderoso EU SOU.

Lilian Flores



sexta-feira, 13 de novembro de 2015

TER ou SER?

Vivemos em sociedade de consumo que impõe uma ditadura do TER. Se VC é uma mulher morena, quer ter cabelos loiros. Segundo pesquisas, é a tonalidade mais vendida. Se é loira, quer torrar no sol para ter a pele das nativas morenas. Mas se vc é um homem, a cobrança é na quantidade de músculos produzidos na academia com super dosagem de anabolizantes em casa.

Não basta ter saúde, caminhar no calçadão, sorrir, andar de bicicleta, cumprimentar conhecidos e desconhecidos, andar descalço, sentir o vento na cara... É preciso sempre mais, sempre além...

Além da cobrança pela ditadura da beleza, há também uma cobrança pelos bens de consumo. Não basta ter um carro, é preciso o carro do ano, o lançamento... Nem que isso custe um carnê da grossura de uma bíblia!! Não basta ter uma casa, é preciso duas, três, ou uma mansão! E o pior, as casas grandes não são feitas porque se pretendem ter muitos filhos ou para receber visitas, como era o pensamento de alguns de nossos antepassados. As mansões ou apartamentos duplex, existem para ostentar uma família que, muitas vezes, é de fachada, ou formada por filho único, o novo hit do momento!!!

Ter, ter, ter para arrotar um "falso poder" de importância, que somente pessoas vazias de si mesmas, dão. Claro que não é pecado ter um bom carro, uma boa casa, entre outros bens que satisfazem nossa alma, nosso ego, e claro, nosso corpo, porque ninguém é de ferro! Quem não gosta de uma piscina para se refrescar, um boa cama para dormir, ar condicionado em tempos de calor?

O problema não está em querer TER coisas boas, mas o problema está quando o TER se sobressai ao SER. Para dar o que o filho quer, alguns pais se sacrificam, fazendo hora extra, vendendo o almoço para comprar a janta. Para o marido ostentar o carro do ano, a esposa arranja dois ou três empregos. E por aí vai a roda gigante do consumo...

Substituem beijos e abraços por bate bocas, devido as contas que estão vencendo ou vencidas. Substituem finais de semana no parque, ou na praia, ou embaixo da árvore, ou na rede, ou até mesmo assistindo TV em casa...por horas extras, por bicos, por serões, por dinheiro!

SER feliz hoje, está atrelado a TER coisas. Parece ser impossível SER feliz sem ter um carro zero, ou sem ter uma casa no campo e outra na praia, ou sem ter a roupa de tal marca, ou ou ou... É NATAL o ano inteiro no matadouro do Mercado de Consumo!!

O meu sinônimo de felicidade é poder SER mãe da Clarice, é poder SER filha da Sandra e do Cantalicio, neta da vó Olga e da vó Onca (Verônica), do vô Janguinho (João) e do outro vô Jango (João também). E bisneta da vó Melinha, vó Ana, vovô Cantalicio e vó Lili. É poder SER irmã da Katiuscia Flores , da Maitê, do Cesar Augusto Flores e de Jesus.

Afastada pela primeira vez de sala de aula por motivo de saúde, é que percebi o quanto sou FELIZ sendo professora de uma das matérias mais odiadas pelos alunos. Porque ou VC ama português, ou VC odeia. Não existe meio termo! Eu AMOOOOO!!!!!

Mas também SOU feliz estando em casa e cuidando da Clarice mais de pertinho. Porque sempre fui dona de casa nesses 5 anos de maternidade, mas nunca estive em casa. E SER dona de casa, estando em casa, é muito bom também!

SOU Feliz também sendo Cristã praticante, ou seja, tento praticar, esforço-me, nem sempre consigo, mas água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. (Risos) É preciso perseverar. Nunca desistir! Uma hora chegamos lá!!

Precisamos ter cuidado para não deixarmos de lado certos VALORES que são perenes, para trocá-los por coisas que a ferrugem corrói e a traça come. Se entrarmos nessa vibe do consumo desenfreado, ditado pela mídia, pelo mercado, pelo sentimento de inveja de ter o que o outro tem; podemos ver o "castelinho de areia", que foi feito para alimentar esse sentido distorcido de FELICIDADE, ser facilmente destruído por uma enfermidade, ou por uma traição, ou até mesmo uma  separação, entre outros males que não vem na bula do consumo doentio.

Eu escolho SER filha do Grande e Poderoso EU SOU.

Lilian Flores
www.contoscontidos.blogspot.com.de

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Amanhã - um poema gramático!

Amanhã - Um poema gramático!

Amanhã é uma metáfora que só os apaixonados entenderão.
Amanhã é um galo que ainda não cantou no pretérito Mais-que-Perfeito.
Amanhã é um Pão-por-Deus sem rima, quase mudo.
Amanhã é o crepúsculo de uma noite que termina em oxítona.
Amanhã é um futuro do presente lacrado e sem destinatário.
Amanhã é um particípio do hoje, eternamente.
Amanhã é um futuro do pretérito no modo subjuntivo.
Amanhã é um advérbio de tempo atemporal.
Amanhã é um adjetivo superlativo em meus sonhos.
Amanhã é um substantivo próprio para meus desejos abstratos e concretos.
Amanhã é um verbo de ação que me imobiliza.
Amanhã é um gerúndio sem infinitivo.
Amanhã é meu pronome possessivo sem demonstrar meu sentimento oblíquo.
Amanhã é um artigo indefinido na lição da vida.
Amanhã é um numeral multiplicativo que precisa ser ordinal.
Amanhã é uma preposição sem posição única de existir.
Amanhã é uma trissílaba separada pela dor do hoje.
Amanhã é uma Comparação incomparável.
Amanhã é uma hipérbole em meus lábios exagerados.
Amanhã é uma vírgula que isola o sujeito oculto do indeterminado.
Amanhã é um predicado que exige um objeto direto.
Amanhã é uma oração sem sujeito, sem querer sua ausência.
Amanhã é uma locução que se une para não existir o ontem.
Amanhã é o silêncio que desejaria gritar SOCORRO para o indicativo.
Amanhã é uma dúvida que corrói os verbos, os adjetivos, os substantivos, as horas, os minutos e os segundos.
Amanhã é o Alfa que não tardará em chegar no futuro do imperativo.
Amanhã é uma oração coordenada que tem sentido completo na fé.
Amanhã é a minha oração subordinada a Deus, que determina o que acontecerá, se Deus quiser!!!

Amém!
Amanhã - Um poema gramático!

Amanhã é uma metáfora que só os apaixonados entenderão.
Amanhã é um galo que ainda não cantou no pretérito Mais-que-Perfeito.
Amanhã é um Pão-por-Deus sem rima, quase mudo.
Amanhã é o crepúsculo de uma noite que termina em oxítona.
Amanhã é um futuro do presente lacrado e sem destinatário.
Amanhã é um particípio do hoje, eternamente.
Amanhã é um futuro do pretérito no modo subjuntivo.
Amanhã é um advérbio de tempo atemporal.
Amanhã é um adjetivo superlativo em meus sonhos.
Amanhã é um substantivo próprio para meus desejos abstratos e concretos.
Amanhã é um verbo de ação que me imobiliza.
Amanhã é um gerúndio sem infinitivo.
Amanhã é meu pronome possessivo sem demonstrar meu sentimento oblíquo.
Amanhã é um artigo indefinido na lição da vida.
Amanhã é um numeral multiplicativo que precisa ser ordinal.
Amanhã é uma preposição sem posição única de existir.
Amanhã é uma trissílaba separada pela dor do hoje.
Amanhã é uma Comparação incomparável.
Amanhã é uma hipérbole em meus lábios exagerados.
Amanhã é uma vírgula que isola o sujeito oculto do indeterminado.
Amanhã é um predicado que exige um objeto direto.
Amanhã é uma oração sem sujeito, sem querer sua ausência.
Amanhã é uma locução que se une para não existir o ontem.
Amanhã é o silêncio que desejaria gritar SOCORRO para o indicativo.
Amanhã é uma dúvida que corrói os verbos, os adjetivos, os substantivos, as horas, os minutos e os segundos.
Amanhã é o Alfa que não tardará em chegar no futuro do imperativo.
Amanhã é uma oração coordenada que tem sentido completo na fé.
Amanhã é a minha oração subordinada a Deus, que determina o que acontecerá, se Deus quiser!!!

Amém!


Lilian Flores

domingo, 4 de outubro de 2015

SETE

Em 7 dias Deus trouxe a existência tudo o q há na terra e nos céus, e descansou.
É preciso descansar em Deus, sempre!

7 são as cores do arco-íris que nos lembram da aliança de Deus com a sua criação.
É preciso colorir a vida, que jaz em preto e branco, nos arredores de nossa alma!

7 notas musicais e a perfeição do som pelo toque no instrumento em puro silêncio interior.
É preciso tocar a alma sem querer dizer nada, eternamente!

Em 7 dias as muralhas de Jericó caíram no chão, ao som das trombetas.
É preciso não temer às batalhas nossas de cada dia!

7 cartas foram entregues às 7 igrejas em Apocalipse, com recomendações precisas e preciosas.
É preciso escrever e ter o que dizer, por toda vida!

Recomenda-se perdoar 7x70 e assim, da mesma maneira serás também perdoado.
É preciso perdoar para se curar!

Em 7 dias termina nossa semana para iniciar outra, até que a morte nos separe.
É preciso viver pra Cristo e morrer para nós mesmos!

7 não é apenas um numero! Não é só o número da perfeição de Deus e da vontade de Deus. O 7 é uma promessa se cumprindo todos os dias!!! Amém!

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Silêncio

O mesmo silêncio que me irrita, é o mesmo que me atrai. Há poesia na mudez das palavras não ditas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

AMAR A DISTÂNCIA, Oh, MAR!


Seria possível o AMOR acontecer entre pessoas que estão a km de distância?
Eu nunca acreditei nessa hipótese. Mas amor não tem fórmula, não tem tempo, não tem espaço e não tem explicação, assim afirmam os entendidos no assunto. Existe e ponto final! (.)
Talvez a AUSÊNCIA, dê o tempero necessário existente na presença? Não sei! Ainda não experimentei nem a ausência, nem a presença, pois tudo até agora foram apenas paixões! Como sei então? Porque acredito, que amor de verdade JAMAIS ACABA! Por isso, imagino através das tecituras dos olhares e confabulo histórias que nem vivi ainda.
Mas também ACREDITO, que amar à distância deve doer, deve tirar o sono, o apetite... e tudo mais que a não-presença  deve causar. Ficar LONGE de quem se ama ou pretende se amar, é ruim demais! Mas pior, é quem vive perto e fica de longe esperando o amor  chegar... Deve doer mais ainda! Ou não? Dor de amor não pode ser medida!
Ao mesmo tempo, imagino que AMAR tem tudo haver com MAR. Talvez, por isso eu goste tanto de contemplá-lo. Porque assim, como na alquimia do amor, o mar é também essa MISTURA de componentes que nos provocam fome, frescor, relaxamento, sono, preguiça, prazer... AMAR e MAR seriam então palavras sinônimas? Quem sabe...
Deve ser essa combustão de elementos químicos e da natureza, todos juntos e misturados (sódio, água, oxigênio, ar, algas, peixes, crustáceos...) que promovem odores singulares, que impregnam nossa MEMÓRIA, corpo, alma... nos fazendo não apenas mergulhar em suas ondas, mas beber dessa água salobra pela boca, olhos e ouvidos!
Eu sei que é clichê dizer isso, mas o mar é puro MISTÉRIO! Quando pensamos que é raso, um sentimento passageiro, de repente somos submergidos por uma onda que tira nossos pés da areia. E quando temos a absoluta certeza que é fundo e que ali podemos navegar em perfeita tranquilidade com nosso barco da vida, somos então, surpreendidos por uma PEDRA ou um banco de AREIA.
Em águas PROFUNDAS ou RASAS, nunca sabemos o que nos espera... Todo marujo aconselhará a esperar. Esperar a maré virar...esperar a guarda costeira aparecer....esperar o salva-vidas socorrer... Enfim, qualquer atitude precipitada pode ser fatal, tanto para aquele que estava em águas PROFUNDAS onde pode ver seu barco partir o casco, levando seus sonhos e a esperança de mais um "amor" naufragado. Ou para aquele que se banhava em águas RASAS, achando-as totalmente inofensivas, e no desespero chega a afogar-se em sentimentos jamais sentidos!!!
O que sei, é que o MARUJO, é profundo conhecedor do mar. Ele o criou e por isso, seguir seu conselho, é sempre a melhor alternativa. Saber ESPERAR, é aprender a ler os sinais do tempo. É observar as mudanças repentinas das marés. É ter certeza, que tudo voltará ao seu devido lugar quando a LUA CHEIA chegar ou quando a MINGUANTE ressurgir. Mas é o Marujo que decide, não eu, tripulante dessa NAU solitária!

Lilian Flores

quinta-feira, 23 de julho de 2015

POR QUE ESCREVO?

POR QUE ESCREVO?

Algumas PEÇOAS - PEÇONHENTAS que não curtem, nem comentam e muito menos compartilham minhas crônicas, vieram até mim nesses meses, após verem o Projeto Praça da Leitura destruído, totalmente na lona, perguntaram-me: POR QUE ESCREVO? A resposta pra mim, parece-me óbvia!

Escrevo, porque não posso gritar. Escrevo, porque a justiça é lenta demais pra minha ansiedade. Escrevo, porque simplesmente amo. Escrevo, porque escrevendo, suplicamos, delatamos, denunciamos às injustiças, coletivamente.

Sei lá, pra mim essa pergunta é o mesmo que perguntar: Por que você fala? Por que você pensa? Por que você come? Por que você dorme? Por que vc respira? Por que há tantos por quês?

Alguns acham que tenho "dom" de escrever. Talvez eu tenha! O que as pessoas chamam de "dom", eu chamo de LABUTA! Escrevi, corrigi, reescrevi muitos textos, desde minha tenra idade. Li também muitos livros, desde minha tenra idade. E esse casamento entre a leitura, a escrita e a CORAGEM, torna as minhas crônicas, não minhas apenas, mas de todos que curtem, comentam e compartilham, se apropriando permissivamente do meu discurso escrito, que passa a ser de todos que concordaram. Ou seja, do individual para o coletivo, ou do privado para o público!

Factualmente, todos que cursaram Letras, como eu cursei, aprenderam a escrever. Porque escrever é também técnica. E meu professor simbolizava isso com o desenho de um trem, onde cada vagão era um parágrafo, constituído de vários enunciados. Ou seja, de vários discursos. Se você frequentou Letras por 4 anos e saiu de lá sem saber escrever, devolva o diploma e peça seu dinheiro de volta! A questão não é saber escrever, a questão é ter CORAGEM pra escrever! CORAGEM para enfrentar os gigantes!

O saber escrever não é dádiva ou privilégio daqueles que cursaram Letras. O que seria do Advogado, Juiz, Promotor, Jornalista, o Político, Padre, Pastor, Sociólogo, Filósofo... entre outras profissões, que se sustentam pelos argumentos de seus discursos?

É claro que eu não precisaria escrever!!! É isso que, as "medrosas",  ou as "religiosas", ou as "hipócritas",  ou as "invejosas", ou "as diplomáticas" ou as "ditadoras"..., gostariam que eu as respondessem. Mas eu vos pergunto: o que fazer frente às injustiças????????????????  (PARECE ESTROFE DE FUNK da MC Anita)

Algumas PERSONAS acham que deveríamos fazer de conta que não enxergamos e nem ouvimos. "Morri, só esqueceram de me enterrar!" À lá Zeca Pagodinho, "deixa a vida me levar, vida leva eu..." rsrsrss Outras acham, que a oração é a solução, sendo que, o significado da palavra, é um convite à ação (orar+ação). Há aquelas que acham, que fingir o sorriso, apertar a mão e ficar elogiando a injustiça, é a garantia do seu sucesso e dane-se os injustiçados! E 90% ou mais, acreditam que a diferença e a solução de todos os problemas de sua vida profissional, amorosa, espiritual...virão dos "conselhos" das ZAMIGAS(OS)! Logo, o que eu faço, que é Escrever, é o maior dos ABSURDOS da humanidade!!!!! É preciso rir pra não chorar!

Mas eu quase que ia me esquecendo, o argumento das ditadoras: La justicia soy YO! E nessa aqui há ramificações, pois existem ditadoras-lutadoras, onde tudo se resolve no Vale-Tudo, no MMA ou UFC!  Há também a ditadora-praxista, aquela em que o promotor é seu vizinho; o advogado é seu pai; e o desembargador, joga futebol com seu marido... Com ela não há bate-papo; tudo se resolve no Fórum ou num cartório mais próximo de seu alcance, ARRIBA!!! E em 3º grau, há as ditadoras-Juízas, em que YO soy la sentencia! Eu faço, eu desfaço, eu aprovo, eu reprovo, eu..., eu.., eu! Nós? Quem é nós?

De todas, as que mais admiro, são as ditadoras, em seus três Graus de perplexidade! Bem, pelo menos fazem o que fazem e assumem o que fazem! Mesmo tendo sido atingida por uma ditadora em último grau na escala Richter kkkkkk, fez o que fez, empinou mais o nariz do que ele já é empinado, esticou a barriga e levantou o bumbum com seu salto 15cm... e nem aí pras consequências!  Das medrosas e religiosas, quase sinônimas, só me resta pena, porque se escondem atrás da placa de alguma igreja que já está anestesiada pelo comodismo, e pra essas há cura! Palavra de uma ex-medrosa! As que me causam náuseas, são as hipócritas, invejosas e diplomáticas, todas farinhas do mesmo saco. Impossível de serem separadas. Elas andam coladas e de mãos dadas; cada qual doando ou recebendo a sua porção faltante. Ou puxando o tapete uma da outra ou de alguém. Não necessariamente na mesma ordem. Ergth!

Enfim, é o fim, ver pessoas, professores, mestres, intelectuais, cristãos... anestesiados pelas injustiças. Se bobear, essas pessoas que são consideradas as mais sensíveis dentro desse termômetro social, na qual deveriam ser as primeiras se compadecerem... pelo contrário, são as primeiras a se calarem, a fecharem os olhos, e fazendo bem o contrário do que Jesus fez, são as primeiras, a pegarem a pedra para atirarem, usando como argumento: que fomos chamados para promover a paz mundial! Discurso de Jesus ou de Miss Brasil e EUA?

E eu com os meus botões e com os seus botões, fico imaginando a paz que Jesus promoveu quando quebrou todas as tendas de comércio em frente ao templo. Imagino o alvoroço quando Ele curou no sábado sagrado; quando Ele sem força e sem violência, apenas por seu discurso autêntico e amoroso, fez com que todos jogassem a pedra ao chão, ao invés de jogar na Mulher Adúltera. Queria imaginar as caras e bocas dos doutos da fé judaica daquela época, vendo Jesus almoçando, jantando, dormindo na casa dos mais corruptos homens daquela sociedade. Eu queria ter sido uma borboleta pra ter visto tudo isso... mas não fui, Graças a Deus!

Só há paz e mudança de postura, após a reflexão de ações! Em alguns casos é preciso expulsar, quebrar, derrubar as tendas de algumas ações errôneas pra que os mesmos reflitam e mudem. Em outros momentos, só um argumento plausível e que toca alma de todos, é o suficiente: "quem não tem pecado que atire a 1ª pedra!". Há também momentos de festa, de confraternização, comunhão... o fato de sentar ao lado, ouvir, perceber, sentir e não ser mais um para julgar que sua prática de vida precisa de mudanças drásticas, como se arrependeu Zaqueu, na noite que Jesus jantou com ele. Há tempo para todas as coisas. Só não podemos ficar indiferentes, apáticos, anestesiados, acostumados com as injustiças, com a fome, com a miséria, com o erro, com o pecado! Isso é também idolatria! Que Deus nos ajude a sermos a mudança em nós, para conseguirmos mudar as mazelas, que estão ao nosso redor! A começar por mim! Amém!

A propósito, eu poderia não escrever. Eu poderia pegar o projeto registrado em cartório, o álbum com todas as fotos da praça, comprovando o que foi feito e o que faltava fazer com as justificativas orçamentárias, reunir todos os parceiros (Ong OMUNGA, TESC, Todos os Materiais de Construção da cidade, Proprietários das Borracharias da Reta, alguns alunos que efetivamente colocaram a mão na massa, pais que trouxeram pneus nas costas, em seus carros, motos, nas bicicletas...), a Crônica "O Assassinato da Praça", escrita pelo meu amigo Rubens da Cunha e postada no Jornal A Notícia, e ir ao Ministério Público pedindo uma justificativa plausível (Não dengue, caramujo africano ou porque meus filhos corriam o risco de acidentes), à Secretaria de Obras para o que foi feito. Eu poderia ter feito tudo isso ao invés de escrever!

Por que não fiz? Talvez eu não seja tão corajosa como  julgam-me. Talvez eu tenha pena do homem Responsável pelas Obras que só recebeu ordens, mas que a bomba certamente arrebentaria em suas mãos. Talvez eu queria apenas que as pessoas pensassem não só no seu umbigo, mas também com o telhado do vizinho. Talvez eu pense demais, fale demais, escreva demais e aja de menos. Talvez é um não que deseja dizer sim! Talvez eu seja uma cadela que late, mas não morde!

 Lilian Flores

sábado, 30 de maio de 2015

MULHER(ES) DE (IN)FLUÊNCIA DA MINHA VIDA


O que é ser uma Mulher de Influência? Para algumas, ter um cargo; para outras, ter um emprego. Para umas, ter uma posição; para outras, estar em posição. Para umas, ter fluência verbal, social, intelectual, espiritual e outros "al's"; para outras, fazer fluir o fluxo de pensamento, de sentimento, de amor, de paixão, de alegria, de sintonia, de euforia... 
Após pensar na palavra "Influência", impossível não pensar em mulheres. Mulheres que influenciaram e que ainda influenciam minha vida. Mulheres que foram e que são um marco histórico na minha caminhada, como minha MÃE; que me influenciou no mundo da leitura, da imaginação, da poesia, das quadrinhas rimadas, da música, do encantamento, do mistério... Além da leitura, ainda me influenciou no mundo da Contação de Histórias, dando-me de presente no dia das crianças, aniversário e sem ser data comemorativa, LIVROS! O presente era pra mim e para minhas irmãs, mas ela é que tinha o imenso prazer de sentar à beirada de nossas camas, pra nos contar "Uma história por Dia"; afim de que nós fossemos criança, o máximo de tempo possível e que, a CRIANÇA que habita dentro dela, também não crescesse nunca.
A outra grande mulher de influência em minha vida, foi a minha tia, Zilda Flores Dos Santos Santos​. Ela me desvendou, me indicou, me conduziu, me contagiou e me ensinou, a fazer parte do mundo da Educação e a entender os meandros da política e da politicagem presente no dia a dia da escola; a diferença entre docência e decência; a diferença entre ensinar e amar e amar ensinar! Mas além dela, existiu também, uma outra grande mulher, que foi a mãe da minha tia e do meu pai, minha VÓ, Olga. Ela não está mais aqui em carne e osso, tornou ao pó, onde um dia, todos nós retornaremos. Mas, suas narrativas e o som de sua voz germânica, ainda ecoa em meus ouvidos. Ela me contava os testemunhos de luta e vitória; de dor e refrigério, de amor e desamor; de injustiças e justiças; do nazismo e das guerras; de salvação e misericórdia... ela me apresentou em capítulos e versículos, em suaves prestações, como num caleidoscópio: um fragmento de um Homem, de um Deus, de um Espírito, Aquele que mal sabia eu, seria o mais importante Homem da minha vida: JESUS CRISTO!
Além dessas mulheres, que são o ponto de partida de uma viagem sem data prevista para o retorno; pois, através delas possuo tal carga genética, algumas feições, algumas manias, que carrego em minhas veias e poros. Também as suas histórias inscritas na minha história e tatuadas em meu caráter, em meus sonhos, em meus planos, formando assim a minha essência humana. Além dessas matriarcas, existem outras que surgem no meio do caminho, como A PEDRA, representada no poema de Drummond. Ora elas podem ser obstáculos, ora podem ser a solução; como foi a minha diretora, nessas últimas semanas! A pedra é muito útil, estando ou no meio, ou à beira do caminho.
Ela pode ser uma necessária arma, para nos ajudar a afugentar animais ferozes e peçonhentos em estradas quase desertas; ou podem fazer parte de uma coleção, como Virginia Woolf e Amélien Polain, que as catavam, guardando-as em seus bolsos, pela simples necessidade de colecionar. Mas uma pedra pode ser também um obstáculo, impedindo a passagem, o tráfego, as ideias, o mar, as ondas, o vento... A escolha não é nem da pedra, por ser assim, e nem daquele que deseja tirá-la do meio ou da beira do caminho. A escolha pertence a sua própria escolha. E nesse jogo de escolhas há de se APRENDER: a esperar, a recuar, a persistir, a mudar, a sonhar, a transformar, a esquecer, a lembrar... que Mulheres de Influência, nos cercam por todos os lados e estão presentes em todos os espaços inimagináveis. E elas existem, para que possamos existir também. Porque uma Mulher de Influência, nunca está sozinha. Ela sempre está cercada de outras mulheres de influência.
Estar à beira do caminho, é permitir o fluxo. É estar sempre pronto. É se conhecer o suficiente para entender a sua função e a beleza que uma pedra tem quando se está na palma de uma mão ou à espera de mãos salvadoras, que as tire dali. E não tem como não falar de salvadora, sem citar o nome de minha irmã, Kati, (Oscar Manuel Dos Santos Junior​)que sempre está ao lado de todos a sua volta, e pronta para fazer tudo, literalmente, salvando-nos de nós mesmos!
No meio do caminho, também encontramos as pedras que estão à nossa frente, iluminando a caminhada, apontando o caminho, nos pegando pelas mãos, nos ajudando a jogar as migalhas, para não perdermos o caminho de volta para casa; como faz tão bem a pastora Pra Fofa Macimo​, a Mônica, a vizinha-irmã-amiga, Silvia Schemmel​. Outras pedras, estão a nossa volta: ora a frente, iluminando e guiando-nos; ora atrás, cercando-nos; ora ao lado, ajudando-nos a carregar às dúvidas e o peso de nossas almas; como, as minhas amigas de fé, de oração e confidências: D. Vera, Aline( Cacio Packer​), Gisele Costa Porto​, Heloísa Urbina​, Eleodora AaRashbaun​, Roberta Buriti​ Gilvana Menslin​, Cléo Schmitt​,  Marina Bruschi​, Katia Lima​...
Como já disse, as Mulheres de Influência, cercam o cerco de nossas vidas. No dia a dia da escola, existem aquelas que nos ensinam o caminho das pedras: na abordagem das leis, nas teorias de aprendizagem, na didática de ensino, na paciência, na tolerância, na perspicácia, na humildade, na bravura, na mansidão, na leveza, na paz, na alegria, na ironia, no amor que transmitem em tudo que fazem, como: a Elisa Bete​, a Denise Maria Borba​, a Karine Wolff​, a Grasiela Aparecida Cabral Silva​; a Lizane Gonçalves​, a Julia Luiza Severo​, a Márcia Mira, Dani, a Madô Maurer​, a Rosana Edna Da Costa, ... e outras que vêm e que vão, mas que sempre deixam sua marca em nós, na escola e nos alunos, a Magali Severino, Tânia Alves, Euzi, Elaine Cristina da Silva, Yara De Oliveira Marcomini, Ivana Ramos, Katia, Alessandra, Maridilce, Sonia Rocha, Myrian Zilda Santos, Maria Júlia Flores Gianelli, Aline Luchini, Geane Pangéia, Nara Mello, Luzia Ane, Carmem Elizia Amorim, Elaine Cristine, Fernanda Fernandes Cidral, Adriane Schroeder Lins Leiroza, Madalena, Maitê, Isabel Cristina Goncalves​, Josiany Machado​ e outras pedras e pedrinhas que existem, mas impossível contá-las, são inúmeras.
Outras grandiosas pedras que aparecem à beira do caminho, quando menos imaginamos, são os livros e suas ESCRITORAS. Mulheres essas, que parecem nos conhecer há anos. Parecem que decifram nossas almas e nossos anseios, como aconteceu quando li os livros de Clarice Lispector; que morreu antes mesmo de eu ter nascido, mas que a cada dia, parece ser mais familiar. E através de suas obras, aprendi a entender a beleza das entrelinhas, dos silêncios, dos gritos, dos sussurros que um texto tem. Aprendi a aprender. Aprendi que na desordem, está a intrínseca beleza das palavras. Que a POESIA está por trás do entendimento... Em um de seus relatos, a escritora te entrega em mãos as pedras que as coleciona: “é preciso entregar-se como eu me entreguei, porque ESCREVER, é para você sentir, mas principalmente, para que eu sinta também um pouco do que você senti (...) e ao escrever, revelo-me a ti em capítulos(...) e assim vou existindo em plenitude ”.
E a outra grandiosa pedra, que conheci recentemente, mas que conseguiu decifrar um lado que estava intocado, foi a escritora Pam Farrel, com seu livro “Mulher de Influência”, que me inspirou a escrever essa CRÔNICA, assim como todas as mulheres citadas, as que a memória não permitiu lembrar, e as que esqueci por vontade própria! Através de seus escritos, aprendi a organizar o caos que há em minha alma inquieta. Aprendi regras; aprendi que tenho que ter disciplina; aprendi que reeducação é algo pra sempre, contínuo e cíclico; aprendi que uma hora tem apenas 60 minutos e que ser é tão importante como sentir; Aprendi, que estar APAIXONADA por um “projeto” ou por “alguém”, só constrói o ALICERCE da casa, mas não a edifica e por isso, tomar a INICIATIVA, é sempre a melhor escolha;  porque é ela que dispõem “os tijolos”, ou faz “aflorar os sentimentos”!!! E que mudar é sempre preciso, mesmo quando for inevitável! E que as PONTES que construímos, jamais podem ser destruídas, porque são elas que nos levam de volta pra casa.

Lilian Flores

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A SAGA CREPÚSCULO CONTINUA...

Finalmente, sexta-feira, alguém(extraterrestre) teve a coragem de me chamar pra "conversar" em seu gabinete. Primeiramente, veio elogiando-me sobre meus dotes profissionais, como: saber escrever muito bem, ser uma ótima professora, dar boas aulas etc... Depois veio com uma "NOTIFICAÇÃO" verbal para que eu assinasse, na qual não entendi o motivo, visto que, quem cometeu "um crime" rompendo com parcerias, destruindo com um "patrimônio" sem autorização daqueles que o fizeram, não fui eu, mas a própria extraterrestre. Estou chamando-a deste delicado apelido, porque sou proibida de citar seu cargo, pois tem uma portaria e bla bla bla... entenderam? Inclusive fiz as devidas alterações na crônica anterior e nos comentários também; para não sofrer sansões penais. Esse é o país justo em que vivemos... Aquele que denuncia os desmandes e as injustiças, é que são ameaçados! É o que me restou... mas eu não tenho medo!
Dentro do gabinete, ou melhor, do circo, percebi o quanto somos palhaços, no sentido lato da palavra mesmo. E como gosto de um teatro, aproveitei o ensejo e fiz minha performance. Como é que é? Assinar uma notificação? É mesmo que dizer: sim, eu concordo com toda essa palhaçada!!!! NUNCA! Em alto e bom som, não assinei, só me arrependi de não ter feito um picadinho da 2ª via e jogado pro alto, como se joga confete!!!
Ainda dentro da Arena, a pergunta que não quer calar? Por que a Praça foi destruída? Só não me venha com a desculpa de caramujos africanos e dengue, porque pra mim, essa desculpinha não rola! Desconfio que seja preconceito a etnia. (risos) Mas a insistência nesse pseudomotivo, foi o ponto final de um bate-boca sem precedentes. Seria tão mais honesto dizer a verdade, nada mais que a verdade! Seria tão digno assumir que errou, assim como eu também errei. Pois, apesar de ser uma professora e estar em sala 9 a 8 aulas por dia, numa jornada de 10 aulas/dia. Nesses meus 45 minutos "livre" (ou seja, o único momento que tenho para correção de provas e redações, planejar atividades, e elaborar avaliações para 7 turmas), eu devia "ficar em seu pé" implorando e lembrando de seus afazeres, como enviar ofícios! Mas o engraçado é que quando um subalterno "fica no pé" pedindo as coisas que faltam, e acreditem, não é pouca coisa que falta em uma escola, somos considerados chatos, negativos, pessimistas, incoerentes e acima de tudo, estamos querendo o lugar de alguém! Eita, dá para avisar a nave mãe, que eu já disse zilhões de vezes, que não sirvo para tal cargo! Que não estou para tirar o lugar de ninguém, estou para sonhar, somar, multiplicar, para melhorar minhas aulas e ajudar meus alunos a lerem melhor e escreverem melhor. Por favor, me deixem em paz!!!!
Mas acima de todas os argumentos para consertar a "cagada" que fizeram: disse-me que "iria convocar uma assembleia com a comunidade, para saber o que eles querem e como querem..." Quase tive uma síncope nesse momento. Destrói-se um patrimônio, para depois perguntar o que é melhor fazer? Não seria o inverso, produção?
Que Deus me e nos ajude a vivermos nesse mundo de inversões de valores e de ações desmedidas, onde o melhor é sempre fazer como "eu quero" e dane-se o que o outro pensa, porque dialética no espaço educativo, é para alguns, um diálogo emagrecedor! (Gargalhadas)

Lilian Flores

quarta-feira, 20 de maio de 2015

ERA UMA VEZ...

ERA UMA VEZ...

CADÊ A NOSSA PRAÇA DE LEITURA? Não existe mais! Simples assim...
 Alguém (Extraterrestre), entra na escola às 16h, com um trator e um caminhão para retirar os pneus chumbados com cimento e os pneus com terra, flores, outros com orégano, manjericão, alfavaca, tomatinho cereja, etc. A mando de quem? Ninguém! (Outro Extraterreste)
 Então, desesperada, atônita, ao mesmo tempo trêmula, pasma, entre outros sentimentos impossíveis de serem descritos, apenas sentidos; fui à Extraterrestre-mor da Escola, perguntar o porquê de tal atrocidade? Resposta nº 1:

"Muitas denúncias por causa da dengue, muito incômodo", emendou! Oras, quando eles estavam sem cimento, concordo com a denúncia, mas no mesmo dia da denúncia, realizada na Rádio São Francisco, no Programa do Sared, a Secretária de Educação, esteve verificando in loco a situação e conversou pessoalmente comigo e com a Denise Borba, Coord. do Projeto Mais Educação, que a solução era apenas chumbar os pneus-mesas com terra e cimento. Rapidamente o problema foi resolvido, com envio de funcionário da Sec. de Obras e material para concretagem. Os demais pneus estavam com terra e flores, outros com terra e temperos, outros apenas com terra a espera das mudas que seriam cedidas pela Secretaria de Agricultura, mediante a CI de solicitação. Estávamos a espera!!!!! Haviam dois pneus sem cimento e sem terra, em uma praça com mais de 60 pneus!

Resposta nº 2:

"Será construída uma nova praça, toda cimentada com grade... muita correria dessa guriada"

Não sei qual das duas respostas é a pior! Talvez vocês possam me ajudar? Até imagino a praça pronta daqui uns 20 anos! E também imagino o estilo: "Carandiru" pra ver o sol nascer quadrado, mas num tom gótico, renascentista, ou quem sabe art noveau, ou à lá Romero Brito, o novo hit do momento! Até já anteciparam a cor da grade da grande jaula: "verde, tipo telinha, Lilian", disse uma professora! Agora, todos enjaulados como porcos em currais, como animais em cativeiros... Na certa tem tudo haver com a nossa proposta de Praça de Leitura, em que a identidade do bairro foi preservada; onde a maioria dos pais dos nossos alunos, trabalham como Caminhoneiros, além das muitas oficinas mecânicas e borracharias existentes na nossa querida Reta!!!!

Resposta nº3:

"A praça estava abandonada!" Com certeza estava mesmo, esse ano! Esse foi o único argumento plausível, mas também desorientado, pra não dizer irresponsável! Oras, para que as cores dos pneus ficassem "vivas", vibrantes, era preciso comprar mais latas de tintas. Para plantar alface, cebolinha, couve, etc.. como tínhamos no início, era preciso mais terra, adubo e novas mudas...parece que a C.I., ainda não chegou na Sec. de Agricultura ou não foi respondida até a presente data. As mesas estavam com cimento, prontas para o início da Oficina de Mosaico, coordenada pela Profª Rosana, no Mais Educação, mas também parece que a C.I. não chegou na Secretaria de Cultura ou não foi respondida. Pois, segundo a Rosana, não seria preciso comprar azulejos, devido ao acervo existente na Cultura. É verdade que faltavam bancos para as crianças sentarem, mas em pareceria com o Mais Educação, a coordenadora, sugeriu a compra de bancos prontos de cimento, adequados para mesas redondas. Porém, como o repasse do gov. Federal está atrasado desde o início do ano, para todo o Brasil, essa ideia ficou em stand bye!

Mas eu me pergunto: será que os "atores" da educação sabem realmente o que significa um PROJETO? Ou eles acham que projeto é algo copiado da internet, ou copiado de algum caderno de planejamento?(risos) Ou projeto é uma mercadoria comprada por alguém que não sabe escrever como infelizmente, muitos fazem para obter sua monografia, logo seu diploma e consequentemente "dar aula". Ou que projeto, é algo que tem início, meio e fim? Realmente, ele tem início e meio, mas FIM, nunca! Ah, tem gente que acha que projeto tem dono? Pode ter idealizador(a), mentor(a), coordenador(a) etc... A impressão que dá, pela atitude grotesca, é que foi vingancinha barata: o projeto é da "dona" Lilian Flores, então vamos acabar com o projeto "dela".

Realmente eu o escrevi por algumas madrugadas de inspiração, mas foi pensando em todos e para todos. Ambiente colorido, alegre perfumado para aulas de leitura em Língua Portuguesa, comigo no ginásio e também para as prof.ª regentes do primário; para aulas de xadrez nas disciplinas de Ed. Física e Matemática; para aulas de pintura, em Artes; para aulas sobre tipos de solos, em Geografia; para aulas de fotossíntese, insetos, invertebrados, plantas, em Ciências; para oficinas de Mosaico e artesanato, no programa Mais Educação; para aulas de Apoio pedagógico nos contraturnos, pois as professoras ficam a caça de uma sala vazia; entre outras necessidades oriundas no dia a dia de uma escola.

Enfim, nessa segunda-feira e hoje pela manhã, percebi o quanto somos impotentes. E que ter a tinta na caneta, faz muita diferença, porque eu só tenho a caneta, mas sem tinta. Percebi também, que os reais motivos sempre ficam nas entrelinhas dos discursos. Percebi que a mesquinhez, é um dos piores defeitos do "serumano". Percebi que as (in)competências têm nomes e endereços. Percebi que a inveja, corrói olhares, deixando as pessoas mais míopes, que o grau congênito de nascença. Percebi, que a preocupação com a Leitura, é imediatista e sazonal. Percebi que hierarquia, é apenas para os peixes pequenos, como eu! Percebi que educar, é para alguns, sinônimo de encurralar. Percebi que Educação, em alguns momentos, deveria ser escrita com I, que no latim significa, negação. Percebi que transdisciplinaridade, interdisciplinaridade, projetos e outras nomenclaturas, são apenas nomenclaturas, sem sentido algum, sem razão alguma de existir. Percebi, que as pessoas estão anestesiadas pelo comodismo; pelo pronto e acabado; pelo efêmero; pela invalidez do pensar e agir. Percebi que querer inovar, reciclar, reaproveitar, reutilizar, ressignificar, é um ato não de responsabilidade pessoal e social, mas de mediocridade, só para cumprir curriculum, para constar no Informativo, para aparecer nas mídias, para "causar".

Quando eu postei no Face(mídia gratuita), em nenhum momento foi com o objetivo de: "olha o que eu fiz!". Pelo contrário, foi postado apenas, para pedir mais parcerias e mostrar aos parceiros e apoiadores o que foi feito, e o que ainda faltava fazer. Tanto, que o radialista e amigo pessoal, Sared Bueri, gratuitamente postou em seu blog e em seu programa "Na Boca do Povo", as carências do Projeto e por sua conta, os elogios; não a mim, porque papel não tem valor algum, se o projeto não tomar forma concreta e real. Os elogios foram a todos que botaram a "mão na massa", cedendo aulas, cedendo alunos, comprando material, pintando os pneus, colocando terra, plantando, cuidando, regando, colhendo, doando mudas, flores, tintas, pincéis, buscando pneus nas borracharias, entregando ofícios nas empresas, emprestando o carro, cedendo aula atividade, etc...

Perdão alunos; perdão pais e comunidade; perdão professores; perdão apoiadores financeiros (VEGA do Sul com as mudas; TESC, com os Baús para os livros; perdão Sared, pela divulgação; perdão PRAIANA, STEIL, HEINZ FOESTER, Mat. SÃO CHICO, pelas latas de tintas; perdão A Ong. Internacional OMUNGA, pelos livros doados a nós e não a África, eles estão sendo MUITO usados em sala de aula; perdão a quem se achar de direito. Ainda bem que os baús e os livros estavam dentro da minha sala, já imaginaram...?

Resumo da ópera de hoje, alguns amigos me disseram assim: "É um incômodo a menos pra ti"; "pense pelo lado positivo, acabou antes de começar"; " eu já tô tão acostumada com isso, que pra mim não é novidade"; "hoje você tem inspiração para escrever uma nova crônica".

 Lilian Flores


segunda-feira, 11 de maio de 2015

SUPERMÃE

Esse vídeo explica que minha mãe é minha SUPERMÃE!!!! Clarice foi para seu colo, antes do meu. Conheceu seu cheiro, antes de sentir o sabor do leite materno. Participou da vigília de oração com meus amados irmãos, antes de nós duas orarmos juntas, agradecendo a dádiva da vida.
Ser mãe é deixar os filhos crescerem. É saber que eles não pertencem a nós, estão apenas emprestados por um tempo indeterminado. Ser mãe é um treinamento para ATRIBUIÇÕES FUTURAS. É um estágio que pode durar apenas 3 meses, 6 meses, 2 anos, 18, 30, 35 anos..., mas todas nós, fazemos o possível para que esse estágio nunca termine e que se prolongue no, "até que a morte nos separe!" Porém, mesmo a morte nos separando, não deixamos de ser mãe.
O estágio termina, para iniciar um outro. Que outro? Não posso lhe responder porque não sou Deus. Mas acredito que nada acontece em vão. Se procurarmos as respostas, encontraremos Aquele que nos dará a resposta certa. Às vezes é preciso enterrar uma semente para que nasça uma árvore com muitos frutos.
Eu não tenho essa pretensão de ser uma SUPERMÃE. Sendo uma boa mãe já ficarei satisfeita. A minha SUPERMÃE é uma serva do nosso Deus e da sua família também. Pois, cuida da minha filha, Clarice, por meio período, mas já cuidou dos outros dois netos também: João Vitor Flores Braga​ e  Heloisa. Mesmo assim, continua sendo secretária do Círculo de Oração, frequentando os cultos na terça, quarta, quinta e domingo à noite, e visitando as famílias nas quartas à tarde com suas amigas de oração.  Ufa!  Deus é Fiel!
Enfim, ser mãe é estar pronta para servir! Ajudar o outro; estender a mão; suprir necessidades; ser ombro e ouvido amigo; dar sem esperar receber; aprender a receber, sem precisar dar.
Ser mãe é se deixar ser...
Te amooooooo mamãe!!!
Minha Sandrinha e das minhas irmãs também!

Lilian Flores​

 

terça-feira, 28 de abril de 2015

AS MÃOS

 
Um abraço
na cumplicidade
de ideias,
Filosofia;
e ideais,
Teologia!

Os olhares perdidos,
a solidão
de medos:
Psicologia;
e desejos,
Sexologia!

As palavras soltas
ao vento
dos egos:
Psiquiatria;
e verbos,
Morfologia ou
Chatologia!

O aroma da saudade
no olfato
das narinas:
Perfumaria;
e boca:
Otorrinolaringologia!

O encontro de mãos
de dedos,
de unhas,
de ...

Nostalgia de alegria!
 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Aos 24 anos!


O menino disse que está apaixonado, mas eu já tive 24 anos e me lembro bem do que é estar apaixonada nessa idade... Antes que me arrastem pelas ruas, como fazem as crianças brincando de torturar Judas, na semana da Quaresma; acredito que existam verdadeiras paixões, que surjam nessa idade e se solidificam, transformando-se em AMOR: o mais cobiçado dos sentimentos; mas, son las excepciones!!
Aos 24 anos a gente se apaixona por Brad Pitt, Tom Cruise, Antônio Bandeiras e outros galãs do cinema... eu não perdia um filme deles e colecionava fotos e informações sobre suas vidas pessoais, se achando íntima, quase da família! Aos 24 anos a gente se apaixona pelo sobrinho da vizinha que vem passar férias de verão na casa da tia e o resto do ano, pelo  filho dela. Também se apaixona pelo surfista que encosta a prancha ao lado de sua canga na praia e tenta te ensinar manobras que você jamais vai aprender; até porque, seu sonho de consumo não é dropar!
Você se apaixona pelo menino novo que acabou de aparecer na igreja e faz de tudo pra saber tudo sobre ele. Se apaixona pelo amigo mais próximo, aquele quase confidente. Contamos-lhe tudo, menos a paixonite.
Por uma voz estranha ao atender o telefone, um quase locutor e fica torcendo pra conhecer o dono, um dia. Se apaixona pelo personagem do livro que nem existe, mas pra você é o príncipe, que a qualquer momento vai pular dali para os seus braços, assim que chegares à última página. Algumas pessoas podem pensar: mas eu fazia isso nos meus 14 anos, 18 anos... Nessa idade eu estava nas quadras de vôlei e só pensava em medalhas. Eu confesso: sempre fui retardatária!
Eu me apaixonei pelo pai da minha filha, só porque ele abria a porta do carro pra mim e se ajoelhava para fazer pedidos. Eu também já me apaixonei por pessoas que cantam; simplesmente porque elas parecem divinas: uma mistura de pássaro, gente e anjo. Também me apaixonei por poetas, principalmente os que declamavam; porque eles têm a capacidade de tornar seus escritos mais reais. Já me apaixonei por revolucionários, só porque eles gostam de complicar o sentido do que é simples e simplificar o sentido, do que é complicado.
Já me vi apaixonada por homens que tocavam violão, outros violino, outros piano, porque suas palavras eram notas musicais. Apaixonei-me por atores de teatro, contadores de história, porque contavam-me e cantavam-me e eu sempre me fazia de desapercebida, por medo de virar uma personagem apenas. Já me apaixonei pelo sotaque e seu jeito gaúcho, paranaense, paulista, carioca... de ser!  Também me apaixonei por pastores (solteiros, claro!); porque eles pregavam aquilo que eu queria dizer, mas não podia.
Enfim, aos 24 anos a gente se permite se apaixonar por tudo e por todos, não necessariamente nessa mesma ordem. Existe uma liberdade de escolher que transcende a própria escolha em si. Eu quase suspeito, que a gente brinca de escolher. Tem um dito popular que diz "Quem muito escolhe, pior recolhe." Pra mim, esse dito serve para comerciantes acelerarem as negociações de compra e venda de mercadorias. Mas pessoas não são enlatados, que estão nas prateleiras pra serem consumidas. Pessoas, são gente de carne e osso e um amontoado de sentimentos, ora decifráveis; ora indecifráveis. A maturidade nos ensina, que pessoas são perenes!
Aos 35 anos, quase 36, nenhum dos motivos acima nos apetecem mais. Agora, nos apaixonamos  pelo sorriso, pelo cheiro, pelo abraço, pela alma, pelo olhar, pela ausência, pela presença, pelo silêncio, pelo caráter, pelo carisma, pela garra, pelo entusiasmo, pela inteligência, pela respiração do outro, pelos batimentos cardíacos...enfim, pela fé na vida, no homem e em Deus! Nos apaixonamos por gente como a gente!
Lilian Flores
www.contoscontidos.blogspot.com.br



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A Classe dos Professores sem Classe


Somos a Classe do Magistério, prazer! E eu sou uma professora sem Classe! Prazer! Confesso que queria ter Classe. Mas onde ela está? Foi para o ralo ou de lá nunca saiu? Não sei. Não saber é a liberdade que tenho para não entender a Classe que não tenho.
Enquanto, em pleno século XXI, existirem professores que acreditam, que deveríamos trabalhar por amor; que ensinar é sacerdócio; que tudo está bom e que se melhorar, estraga; continuaremos sendo uma Classe sem classe.
É a mais pura verdade, que o amor é lindo e um dos sentimentos mais nobres do ser humano, mas há uma diferença em fazer com amor e fazer por amor. São preposições distintas e que mudam totalmente, o sentido das palavras.
Trabalhar sem amor, eu acho quase impossível, mas também não descarto a possibilidade que exista uma minoria que atue simplesmente pelo dinheiro; ou pelo “orgulho” de ser funcionário público; ou porque já se acostumou e como diz Marina Colassanti: “A gente se acostuma com tudo na vida e que tanto se acostumar se perde de si mesmo”.
E mesmo não sendo um salário justo, para quem não estudou, ou seja, ficou na cola dos outros na faculdade; para quem não leu os livros obrigatórios e muito menos os indicados por amigos, professores, palestrantes...; para aqueles que só fazem um curso de capacitação se for em horário de trabalho e gratuito; para aqueles que tanto faz se o aluno aprendeu ou não aprendeu; pra esses, acredito que o salário, é até muito!
Ser uma Classe é muito mais que um crachá; é muito mais que ter uma promoção e hoje estar Diretora, ou Auxiliar, ou Gerente de Ensino, ou Secretária da Educação, ou.. ou …
Ser uma Classe, é pensar no bem comum a todos; é pensar que hoje eu estou aqui, mas amanhã estarei ali; é saber que existe a lei do retorno, planto tempestades, logo colherei inundações; ser Classe, é ouvir o outro, não para tripudiar, mas para refletir e mudar os rumos da história; ser Classe é muito mais que pagar mensalidades no Sindicato e fazer passeatas; é muito mais que escrever crônicas no facebook, como estou fazendo agora; ser Classe não é escrever indiretas, ou diretas, ou recadinhos de desamor, alfinetando as Otoridades; ser Classe, é não compactuar com as injustiças, se colocando na pele do outro, que tem um direito que muitos não tem; ou vice e versa. Enfim, ser Classe, é diferente de estar na Classe à toa, vendo a banda passar!
Daqui a pouco, publicarei a crônica e não tenho e nunca tive pretensões de ser ovacionada pelo poder, porque ele não me seduz. Porque uma vez seduzido pelo poder...Shazammmm Quem leu Foucault, vai me entender. Escrevo para a Classe e como Classe. Escrevo pela simples necessidade de escrever. Escrevo porque os assuntos transbordam meus pensamentos, me provocando uma ligeira coceira em meus dedos. Escrevo, porque escrevendo, reflito comigo, contigo e convosco, não exatamente na mesma ordem.
O que me intriga, é ver uma Classe que não lê ou lê e não entende o que as entrelinhas do discurso estão dizendo. Ou melhor, lê e como a carapuça cai como uma luva, acha melhor não curtir e muito menos comentar para não se comprometer com Classe. Tem aqueles também que não se manifestam como Classe, por medo, por sentimento de culpa, por inveja... E há de não se esquecer, dos egocêntricos, que acham que a crônica tem endereço único: cheque ao portador! Ah, me poupe!! Ela nasceu em mim, dentro de mim, claro que, antes de ser a remetente, sou a primeira destinatária, com muito prazer, da Classe que não tenho!


Lilian Flores

sábado, 24 de janeiro de 2015

O ENCONTRO

Depois daquele primeiro encontro, cada um seguiu seu caminho. Ela voltara pra casa feliz, porque havia decifrado sua alma. E ele seguira viagem, pensativo e confuso ao mesmo tempo. Ambos estavam acompanhados, mas em plena solidão interior.

O que mais o intrigava, era não saber quase nada sobre aquela mulher desconhecida. O que sabia, era o que sentia por ela e que não sabia explicar em palavras. Apenas sentia... Apesar dos desencontros da vida, eles acreditavam que se entendiam no silêncio, nos sussurros, nos suspiros, nas meias palavras que nunca disseram; entre um olhar e outro. Entre uma música e outra. Entre um filme e outro...entre, entre, entre tantas coisas que não viveram. Apenas desejam...

Ela não sabia o que fazer e nem como fazer para se declarar aquele homem. E também não sabia explicar em palavras o que sentia, pois sempre preferira o silêncio. Talvez em gestos se saísse bem, mas não queria se arriscar. Talvez tentasse se declarar através de histórias, como fizera Sherazade, que depois de mil e uma noites narrando histórias ao rei, finalmente conquistou seu coração. Mas não possuía tamanha criatividade, muito menos tempo, ou talvez, tivesse medo de ousar. Medo de não saber se o hipnotizaria com suas declamações, como a rainha fez com o rei. Talvez tivesse medo de pisar em areia movediça.

Decidiu que seria melhor calar-se pra sempre! Quem sabe na mudez das palavras não ditas, estaria dizendo o indizível. Não sabia, mas era a melhor forma de arriscar-se. O silêncio cala os corações, aquieta os anseios e afugenta o desnecessário. Mas ele lhe era necessário. O que fazer então? Não sabia. E não saber a libertava pra não entender. Não ter as respostas, era sua forma de continuar esperando o dia seguinte. Mas quantos dias seguintes ainda existiriam? O tempo urge...

O que dizer a um homem quase mudo e quase cego? Mil e uma histórias ou o silêncio? Sempre acreditava no silêncio como melhor alternativa. Principalmente, no silêncio que existia em seu quarto.

E o encontro? Nunca teve outro. Se falavam à distância, em raríssimas oportunidades das madrugadas de insônia. Um mal que acometia aos dois. Mas se tivesse, ela queria que fosse num lugar assim: um banco, um lago e uma árvore feita em flores.

Lilian Flores


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O DIA QUE SE CONHECERAM


O DIA QUE SE CONHECERAM...

Ela não esperava a visita repentina daquele homem, mas ficou feliz mesmo assim. Apesar de nunca terem se visto pessoalmente, ela tinha uma certeza desconcertante de que ele não era um desconhecido.
Mas o que ele sabia sobre essa desconhecida? O nome!
...
Ela não gostava de fotografias. Pra ela, a imagem é a distorção da alma, uma vã idolatria.
Já ele gostava de fotos. Até as colecionava.

Em meio aquela multidão, ele a procurava sem cessar. Procurava, porque nasceu para isso. Procurar lhe causava adrenalina. Procurar era como se tivesse escalando um penhasco ou correndo uma maratona. Procurar era seu lema. Às vezes, ele achava que havia encontrado e então sucumbia à felicidade. Mas de repente, percebia que não havia achado nada. Vazio. Continuava procurando insistentemente, porque procurar era uma forma de encontrar o que é invisível a olhos nus. Lia, ouvia e no silêncio apareciam algumas respostas, sempre.

Mesmo estando acompanhado de sua amiga, ou confidente, ou namorada... ele a procurava. Tinha uma absoluta certeza que aquela que estava ali, sentada ao seu lado esquerdo, é que era uma estranha. Apesar de saber quase tudo sobre ela, percebia que nada sabia. E ela, muito menos. Seu único desejo era apenas ter alguém. Isso era a plena felicidade! Mas ele queria mais, muito mais que a felicidade. Alguém ao lado era muito pouco...

Até que, no atraso das horas, ela apareceu. Ele ainda não havia lhe visto, mas sentia sua presença. Queria mexer o pescoço ou esticar os olhos para confirmar o que estava sentindo, mas não podia. Só tinha a certeza que ela acabara de chegar.

De repente, num piscar de olhos estavam frente a frente. O que dizer a uma mulher escandalosamente inquieta? Não sabia. O silêncio sempre era a melhor resposta. Mas lhe era proibido ficar mudo. Precisava dizer algo, mas não sabia como começar. Resolveu então, falar de tudo: ética, moral, fé, política, filosofia e de Deus...falou só o necessário para aquele primeiro encontro não programado.

Abraçaram - se três vezes e se despediram sorrindo daquela noite quase fria. Ele foi embora com aquela sensação de que, ela havia lido sua alma.

Lilian Flores