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sábado, 14 de novembro de 2015

Ter ou SER?

Vivemos em sociedade de consumo que impõe uma ditadura do TER. Se VC é uma mulher morena, quer ter cabelos loiros. Segundo pesquisas, é a tonalidade mais vendida. Se é loira, quer torrar no sol para ter a pele das nativas morenas. Mas se vc é um homem, a cobrança é na quantidade de músculos produzidos na academia com super dosagem de anabolizantes em casa.

Não basta ter saúde, caminhar no calçadão, sorrir, andar de bicicleta, cumprimentar conhecidos e desconhecidos, andar descalço, sentir o vento na cara... É preciso sempre mais, sempre além...

Além da cobrança pela ditadura da beleza, há também uma cobrança pelos bens de consumo. Não basta ter um carro, é preciso o carro do ano, o lançamento... Nem que isso custe um carnê da grossura de uma bíblia!! Não basta ter uma casa, é preciso duas, três, ou uma mansão! E o pior, as casas grandes não são feitas porque se pretendem ter muitos filhos ou para receber visitas, como era o pensamento de alguns de nossos antepassados. As mansões ou apartamentos duplex, existem para ostentar uma família que, muitas vezes, é de fachada, ou formada por filho único, o novo hit do momento!!!

Ter, ter, ter para arrotar um "falso poder" de importância, que somente pessoas vazias de si mesmas, dão. Claro que não é pecado ter um bom carro, uma boa casa, entre outros bens que satisfazem nossa alma, nosso ego, e claro, nosso corpo, porque ninguém é de ferro! Quem não gosta de uma piscina para se refrescar, um boa cama para dormir, ar condicionado em tempos de calor?

O problema não está em querer TER coisas boas, mas o problema está quando o TER se sobressai ao SER. Para dar o que o filho quer, alguns pais se sacrificam, fazendo hora extra, vendendo o almoço para comprar a janta. Para o marido ostentar o carro do ano, a esposa arranja dois ou três empregos. E por aí vai a roda gigante do consumo...

Substituem beijos e abraços por bate bocas, devido as contas que estão vencendo ou vencidas. Substituem finais de semana no parque, ou na praia, ou embaixo da árvore, ou na rede, ou até mesmo assistindo TV em casa...por horas extras, por bicos, por serões, por dinheiro!

SER feliz hoje, está atrelado a TER coisas. Parece ser impossível SER feliz sem ter um carro zero, ou sem ter uma casa no campo e outra na praia, ou sem ter a roupa de tal marca, ou ou ou... É NATAL o ano inteiro no matadouro do Mercado de Consumo!!

O meu sinônimo de felicidade é poder SER mãe da Clarice, é poder SER filha da Sandra e do Cantalicio, neta da vó Olga e da vó Onca (Verônica), do vô Janguinho (João) e do outro vô Jango (João também). E bisneta da vó Melinha, vó Ana, vovô Cantalicio e vó Lili. É poder SER irmã da Katiuscia Flores , da Maitê e do Cesar Augusto Flores.

Afastada pela primeira vez de sala de aula por motivo de saúde, é que percebi o quanto sou FELIZ sendo professora de uma das matérias mais odiadas pelos alunos. Porque ou VC ama português, ou VC odeia. Não existe meio termo! Eu AMOOOOO!!!!!

Mas também SOU feliz estando em casa e cuidando da Clarice mais de pertinho. Porque sempre fui dona de casa nesses 5 anos de maternidade, mas nunca estive em casa. E SER dona de casa, estando em casa, é muito bom também!

SOU Feliz também sendo Cristã praticante, ou seja, tento praticar, esforço-me, nem sempre consigo, mas água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. (Risos) É preciso perseverar. Nunca desistir! Uma hora chegamos lá!!

Precisamos ter cuidado para não deixarmos de lado certos VALORES que são perenes, para trocá-los por coisas que a ferrugem corrói e a traça come. Se entrarmos nessa vibe do consumo desenfreado, ditado pela mídia, pelo mercado, pelo sentimento de inveja de ter o que o outro tem; podemos ver o "castelinho de areia", que foi feito para alimentar esse sentido distorcido de FELICIDADE, ser facilmente destruído por uma enfermidade, ou por uma traição, ou até mesmo uma  separação, entre outros males que não vem na bula do consumo doentio.

Eu escolho SER filha do Grande e Poderoso EU SOU.

Lilian Flores