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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013


O TEATRO MÁGICO COMEÇOU: CONSELHO DE CLASSE!!!!!!!
 



Antes de começarem a atirar as pedras em mim, confesso que não sou a melhor professora, muito menos a funcionária padrão ou professora destaque do mês! Também está longe da minha vontade adquirir quaisquer desses “títulos”. Até porque, o que é ser padrão? O que é ser melhor? Para muitos, bajular chefias, dizer sempre sim; concordar na frente e discordar por trás; dizer amém sem rezar o pai nosso!

E assim as máscaras vão se estabelecendo e de simples máscaras tornam-se personagens reais. E aí já viu, no Grande Conselho de Classe aparecem inúmeras personas; desde Madre Tereza de Calcutá até Freddy Krueger.

Mas a grande questão não são os personagens que cada um se apropria na hora H, mas os olhares de fuzilamento; as caras e bocas e o “Soberano Conselho” ou Conselho Soberano” como preferir; sentenciando aprovações e reprovações com as justificativas que vão desde “cuidado! A mãe é barraqueira!” até “tadinho, ele é bonzinho”.

Enfim, inicia-se a tragicomédia! Luz, câmera e ação.

Eu sou contra a reprovação, mas também sou contra a aprovação automática. Principalmente a aprovação automática que nem pra exame o indivíduo vai. Pasmem!

O pior é você descobrir que tem amigos de trabalho que passam os alunos sem exame para não ter que fazer prova contemplando os assuntos ministrados durante o ano letivo ou porque estão cansados e não querem perder tempo corrigindo provas de alunos que dizem eles que serão aprovados. E provavelmente serão mesmo. Não duvido! Se continuarmos com essa postura despreocupada.

Afinal, enquanto somente 3 a 5 professores deixam alunos em exames, outros para justificar sua preguiça pedagógica, usam como muleta a desculpa que serão aprovados indo ou não para exame. Claro que tem alunos que não ficam em exame em disciplina nenhuma. Mas temos o outro extremo, que são alunos “problema” como os analfabetos que estão no ginásio; os faltosos; os que apresentam dificuldades de aprendizagem; os preguiçosos, indisciplinados, entre outros rótulos.

Alunos esses, que na minha humilde opinião, deveriam ficar de 5 a 9 disciplinas pelo menos. Para que no mínimo, ele e a família repensem sobre seu comportamento, sua falta de interesse, seu descompromisso e omissão.

Sou novata no magistério, tenho apenas 10 anos de experiência profissional, como professora de Língua Portuguesa. Portanto, posso dizer que sou uma pré-adolescente nessa profissão tão desgastante e tão gratificante ao mesmo tempo. Talvez um dia eu me arrependa do que estou escrevendo agora. Mas caros colegas, eu precisava...Não! Eu preciso por no papel minhas angústias.

Angústias essas, que não são apenas minhas, mas de amigas(os) de trabalho que estão nesse mesmo barco: com inúmeras provas de recuperação paralela para corrigir e elaborando as provas para os exames finais. E todos preocupados com os alunos e não com seus umbigos.

Pois acreditem, tem professores indignados porque alguns alunos foram com notas muito baixas nos primeiros bimestres e por isso querem mudar a nota para que o aluno seja aprovado automaticamente, sem nem passar por exame.

O pior é que não é a direção ou supervisão e orientação escolar solicitando tal absurdo. São professores! Pasmem pela segunda vez!

E muitos desses professores são os primeiros a pegar o microfone nos cines teatros da vida para falar de aprovação automática por parte do sistema educacional, completamente indignados.

Tem professor que o espelho dele é nota 8 para todos, sem discriminação. Parece até piada. Os próprios alunos se questionam e comentam nos corredores e salas de aula “Vê professora, eu fiz tudo ganhei 8 e o fulano que não fez nada, nem vem mais para a escola e também ganhou 8, dá para entender? Que doideira, todo mundo da sala ganhou 8”.

Claro que nessa hora você faz cara de paisagem porque é anti ético defendê-lo nesse momento, na qual você está a par da situação completamente errônea, porém também é antiético denegri-lo. Mas eu fiquei pensando com os meus botões, dando aquele sorriso amarelo... Mal sabe ele que 8 foi a nota dada para todos os alunos da escola! Pasmem pela terceira vez!. Isso é mágico!

Tudo bem que o aluno vá passar depois, porque no fim das contas conseguiram um laudo ou porque as madres Tereza's de Calcuta's entraram em ação. Mas pelo menos ele foi para exame, fez prova com várias disciplinas e não apenas com 2 ou 3.

É tragicômico! Só quem está presente consegue entender a complexidade que é avaliar um indivíduo. Não dá para ser 100% racional e nem 100% emocional é 50% de cada, e encontrar esse equilíbrio na hora do pega-pa-capa, não é tarefa fácil.

É colocar na balança as habilidades cognitivas, linguísticas, motoras entre outros pesos e medidas.

Nesse momento, você enquanto professor se coloca no lugar do aluno, do pai e da mãe e querendo ou não, acaba lembrando do seu tempo escolar. Do quanto você era estudioso ou não; do quanto você era bagunceiro ou não; do quanto você era rebelde ou não... e com profunda tristeza você lembra dos seus amigos que pararam de estudar e se perderam no caminho das drogas; mas com alegria você também lembra daqueles que mesmo parando de estudar encontraram uma profissão e estão vivendo dignamente e as vezes melhor que você, no seu próprio negócio, feliz e sem estudo acadêmico.

Porque a escola é uma faca de dois gumes e ser professor é tentar pelo menos saber usar a faca, afim de separar juntas de medulas e chegar no coração para dilacerá-lo, tentando achar nele terra fértil.



Lilian Flores