Li

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O DIA QUE SE CONHECERAM


O DIA QUE SE CONHECERAM...

Ela não esperava a visita repentina daquele homem, mas ficou feliz mesmo assim. Apesar de nunca terem se visto pessoalmente, ela tinha uma certeza desconcertante de que ele não era um desconhecido.
Mas o que ele sabia sobre essa desconhecida? O nome!
...
Ela não gostava de fotografias. Pra ela, a imagem é a distorção da alma, uma vã idolatria.
Já ele gostava de fotos. Até as colecionava.

Em meio aquela multidão, ele a procurava sem cessar. Procurava, porque nasceu para isso. Procurar lhe causava adrenalina. Procurar era como se tivesse escalando um penhasco ou correndo uma maratona. Procurar era seu lema. Às vezes, ele achava que havia encontrado e então sucumbia à felicidade. Mas de repente, percebia que não havia achado nada. Vazio. Continuava procurando insistentemente, porque procurar era uma forma de encontrar o que é invisível a olhos nus. Lia, ouvia e no silêncio apareciam algumas respostas, sempre.

Mesmo estando acompanhado de sua amiga, ou confidente, ou namorada... ele a procurava. Tinha uma absoluta certeza que aquela que estava ali, sentada ao seu lado esquerdo, é que era uma estranha. Apesar de saber quase tudo sobre ela, percebia que nada sabia. E ela, muito menos. Seu único desejo era apenas ter alguém. Isso era a plena felicidade! Mas ele queria mais, muito mais que a felicidade. Alguém ao lado era muito pouco...

Até que, no atraso das horas, ela apareceu. Ele ainda não havia lhe visto, mas sentia sua presença. Queria mexer o pescoço ou esticar os olhos para confirmar o que estava sentindo, mas não podia. Só tinha a certeza que ela acabara de chegar.

De repente, num piscar de olhos estavam frente a frente. O que dizer a uma mulher escandalosamente inquieta? Não sabia. O silêncio sempre era a melhor resposta. Mas lhe era proibido ficar mudo. Precisava dizer algo, mas não sabia como começar. Resolveu então, falar de tudo: ética, moral, fé, política, filosofia e de Deus...falou só o necessário para aquele primeiro encontro não programado.

Abraçaram - se três vezes e se despediram sorrindo daquela noite quase fria. Ele foi embora com aquela sensação de que, ela havia lido sua alma.

Lilian Flores