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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Aos 24 anos!


O menino disse que está apaixonado, mas eu já tive 24 anos e me lembro bem do que é estar apaixonada nessa idade... Antes que me arrastem pelas ruas, como fazem as crianças brincando de torturar Judas, na semana da Quaresma; acredito que existam verdadeiras paixões, que surjam nessa idade e se solidificam, transformando-se em AMOR: o mais cobiçado dos sentimentos; mas, son las excepciones!!
Aos 24 anos a gente se apaixona por Brad Pitt, Tom Cruise, Antônio Bandeiras e outros galãs do cinema... eu não perdia um filme deles e colecionava fotos e informações sobre suas vidas pessoais, se achando íntima, quase da família! Aos 24 anos a gente se apaixona pelo sobrinho da vizinha que vem passar férias de verão na casa da tia e o resto do ano, pelo  filho dela. Também se apaixona pelo surfista que encosta a prancha ao lado de sua canga na praia e tenta te ensinar manobras que você jamais vai aprender; até porque, seu sonho de consumo não é dropar!
Você se apaixona pelo menino novo que acabou de aparecer na igreja e faz de tudo pra saber tudo sobre ele. Se apaixona pelo amigo mais próximo, aquele quase confidente. Contamos-lhe tudo, menos a paixonite.
Por uma voz estranha ao atender o telefone, um quase locutor e fica torcendo pra conhecer o dono, um dia. Se apaixona pelo personagem do livro que nem existe, mas pra você é o príncipe, que a qualquer momento vai pular dali para os seus braços, assim que chegares à última página. Algumas pessoas podem pensar: mas eu fazia isso nos meus 14 anos, 18 anos... Nessa idade eu estava nas quadras de vôlei e só pensava em medalhas. Eu confesso: sempre fui retardatária!
Eu me apaixonei pelo pai da minha filha, só porque ele abria a porta do carro pra mim e se ajoelhava para fazer pedidos. Eu também já me apaixonei por pessoas que cantam; simplesmente porque elas parecem divinas: uma mistura de pássaro, gente e anjo. Também me apaixonei por poetas, principalmente os que declamavam; porque eles têm a capacidade de tornar seus escritos mais reais. Já me apaixonei por revolucionários, só porque eles gostam de complicar o sentido do que é simples e simplificar o sentido, do que é complicado.
Já me vi apaixonada por homens que tocavam violão, outros violino, outros piano, porque suas palavras eram notas musicais. Apaixonei-me por atores de teatro, contadores de história, porque contavam-me e cantavam-me e eu sempre me fazia de desapercebida, por medo de virar uma personagem apenas. Já me apaixonei pelo sotaque e seu jeito gaúcho, paranaense, paulista, carioca... de ser!  Também me apaixonei por pastores (solteiros, claro!); porque eles pregavam aquilo que eu queria dizer, mas não podia.
Enfim, aos 24 anos a gente se permite se apaixonar por tudo e por todos, não necessariamente nessa mesma ordem. Existe uma liberdade de escolher que transcende a própria escolha em si. Eu quase suspeito, que a gente brinca de escolher. Tem um dito popular que diz "Quem muito escolhe, pior recolhe." Pra mim, esse dito serve para comerciantes acelerarem as negociações de compra e venda de mercadorias. Mas pessoas não são enlatados, que estão nas prateleiras pra serem consumidas. Pessoas, são gente de carne e osso e um amontoado de sentimentos, ora decifráveis; ora indecifráveis. A maturidade nos ensina, que pessoas são perenes!
Aos 35 anos, quase 36, nenhum dos motivos acima nos apetecem mais. Agora, nos apaixonamos  pelo sorriso, pelo cheiro, pelo abraço, pela alma, pelo olhar, pela ausência, pela presença, pelo silêncio, pelo caráter, pelo carisma, pela garra, pelo entusiasmo, pela inteligência, pela respiração do outro, pelos batimentos cardíacos...enfim, pela fé na vida, no homem e em Deus! Nos apaixonamos por gente como a gente!
Lilian Flores
www.contoscontidos.blogspot.com.br