Li

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O Obscuro

Queria descrever o obscuro, mas ele se camufla de silêncio e quando tento pegá-lo, escapa por entre meus dedos; como a água do mar que deixa apenas seu cheiro de maresia entranhado em minhas veias. Por isso queria ver o silêncio se esvaindo em sangue. Assim quem sabe mataria minha vontade de entender o que não se vê.
No momento em que me olho de fora para dentro, vejo o nada. Fico noites a contar estrelas decaídas, tecendo pedidos que sempre chegam depois da hora marcada. De mãos vazias, olhos sonolentos e coração ensonharado, volto a alcova em que fui gerada. Fecho os olhos e me jogo em precipícios, ando a cavalo, grito, gemo, pulo e aterrizo numa madrugada que não foi feita para dormir. E como dama da noite permaneço muda e perfumada para o sol que surge à janela de meu quarto.

Lilian Flôres