terça-feira, 22 de julho de 2014

CADÊ A ESQUERDA?

Num passado remoto, São Chico tinha o PT como esquerda, mas eles hoje estão no poder, mas sem poder...tipo assim: sem tinta na caneta, compreenderam?
Aí a ultra direita QUATROCENTONA de São Chico, a chamada dobradinha(PMDB+PSDB) mas que carinhosamente eu batizo de buchada de bode; tornaram-se a esquerda. Que lindo!!! Foi um circo...sabe como é, "sempre estive no poder, saí dele, mas ele nunca saiu de mim?" Mais ou menos era esse o quadro. .

O tempo passou e os QUATROCENTÕES que sempre foram na cola do PT nos 4 primeiros anos, denunciando, alfinetando, metendo o dedo na ferida, etc e tal...estavam bem encouraçados. Mas aí o mundo é dos "espertos" e na reeleição, o PT de esquerda, vestiu os trajes de direita e agora se assenta entre os "príncipes"! (risos)
Nessa virada, os QUATROCENTÕES ficaram a ver navios de novo! A única saída: Vestir as roupas da esquerda e aí, salve-se quem puder!!!! Eles vendem o corpo e alma para conseguir um carguinho pro filho ou pra mãe, ou pro filha-da-mãe!!! A ordem dos tratores não altera o viaduto ou a ordem dos fatores não altera o produto.
E agora minha gente só temos DIREITA em São Chico!!!! Todo mundo no poder, mas sem poder... mas quem diz que eles querem poder? Alguns querem, mas sem querer querendo...Outros querem mesmo é $$$$ que o poder lhes proporciona; já outros com baixa alto estima querem os puxa-sacos de plantão: elogiando o cabelo, a unha, o terno, o vestido, o sapato...; os mais desinibidos querem as luzes, câmeras, plateia e um palco pra dar aquele sorriso amarelo e fingir que são felizes; mas tem aqueles que chamamos de Queridinhos da América, ops! Queridinhos de São Chico City: os intelectuais com carreira inabalável que estão no poder para florear, colorir, dar vida ao pântano da política ditatorial que se estabeleceu aqui.
É uma coisa linda de se ver e de se viver!!!! Todo mundo fingindo que está tudo bem!!!!!!! O DÉCIMO não saiu e mais de 4mil funcionários reclamando nos bastidores, amaldiçoando o prefeito e os funcionários do RH até a décima geração; mas tudo entre dentes, nos cochichos, no chat do face que ninguém fica sabendo, em casa a 4 paredes, no banco Itaú com o cx. eletrônico, com a guarda que já está a postos pra detectar funcionário da prefeitura e mandar voltar a porta giratória: ‪#‎odécimonãosaiu‬!!! Enfim, sempre se encontra um ombro e um ouvido amigo pra falar das lamúrias de umas férias sem décimo!
Mas o importante é que está tudo bem, se reclamar, além de ficar sem décimo fica sem os 60% ou 80% de gratificação em cima do salário. Já pensou??? Nunca! Jamais! Grita o subconsciente dos cabides. Ou seja, a casa cai!
Nessas últimas semanas, tem um quadro bem pintado na cidade, onde a direita QUATROCENTONA com roupinhas humildes de esquerda, estão em plena euforia interior! Mas é claro que esse interior que não é nada límpido, deixa transparecer tudo: olhares, gestos, frases soltas, de repente reina-se um silêncio quase coletivo. É coisa linda esse amor genuíno! Só de imaginar que pode rolar um carguinho $$$$ na sub, da sub, da sub gerência de lá vai bolinha, tem JENTE que nem vai viajar nas férias só esperando um telefonema, que não é de um grande amor; tem outras JENTES que nem curte e muito menos faz comentários no face com medo que "alguém que interessa" leia e aí já viu, o sonho de cinderela e cinderelo vai para o espaço... e a abóbora tem que virar carruagem de qualquer jeito!!! (GARGALHADAS)
Eu tenho um nojo tão grande disso tudo, que estou a ponto de vomitar-te, hipócritas de plantão!
Lilian Flores

domingo, 20 de julho de 2014

Menu de hoje: O Palhaço


Acabaram de perguntar uma sugestão de filme. Esse é um tipo de pergunta que eu amo responder. Amooooooooo!!!!! Qual a resposta?
O PALHAÇO "O Rato come queijo, o gato bebe leite e eu sou palhaço!" Essa frase é tudo e mais um pouco...

Hoje eu responderia isso, amanhã não sei... Esse filme combina com o dia de hoje, ensolarado! Ele é divertido, porém não te faz rir às gargalhadas. Serão risadas comedidas, mas que te farão refletir sobre mil coisas!!!!!!
Primeiramente, sobre a existência no sentido vocação. Quem nunca teve uma crise vocacional??? Eu mesma, antes de ter a certeza absoluta que nasci para ensinar meus pupilos a escrever, ler, encenar, recitar, declamar... Queria ter sido advogada (quero ainda fazer direito, mas apenas para uso próprio), pois é umas das facu mais úteis que já vi; porém, queria ter sido turismóloga também, até fiz dois anos de Turismo e Hotelaria, mas percebi que ser turista é bem mais agradável; também quis ser Marqueteira e fui por 365 dias na McDonald's Coorporation, mas trabalhava demais, corpo e mente cansados todos os dias, não dá! Ser professora cansa a mente, mas em compensação o corpo está sempre pronto para o outro dia.

Enfim, tive minha crise vocacional e mesmo depois de totalmente decidida, feliz e realizada (claro, que isso não inclui o salário); tive uma outra crise vocacional, em 2011. Havia sido convocada para dar aula a uma determinada turma, que chamavam de Projeto Piloto. Pela primeira vez na minha vida profissional (11 anos de magistério ou sacerdócio); fiquei tentada a desistir de pilotar essa carreira. Pedi pra sair! Negaram! Ainda bem, pois não teria essa história em meu portfólio profissional. Fiz concurso federal, passei em 25º entre 190 aprovados no Brasil, mas nunca me chamaram!!!! Tudo bem, nem queria mesmo (mentira!)
O importante é que sobrevivi aquele ano, juntamente com meus colegas de profissão, que sabem muito bem o que estou falando. ( Karine Wolff, Elaine Cristine, Mariangela Mattar, Carol, Fernanda Fernandes Cidral, Márcio João Silva Márcio Silva entre outros.) Essa turma ficará marcada para sempre em nossas memórias, pelo menos na minha.
Além do filme questionar escolhas profissionais e também amorosas, ele dá aquela sensação de que você nunca mais o esquecerá e o melhor de tudo, é que você nunca mais será o mesmo depois do filme. De repente, você perceberá que fazer escolhas é uma faca de dois gumes e que é extremamente humano errar! Todavia, o arrepender-se é melhor ainda, é uma sensação de gozo e choro ao mesmo tempo. Uma perfeita contradição, onde o circo é o templo do riso e das gargalhadas. O Palhaço é um filme moderno, que fala sobre uma temática épica, onde as lágrimas não são visíveis a olho nu; e ter um documento de identidade não é uma necessidade de sobrevivência, mas de afirmação: eu existo!
Lilian Flores


quinta-feira, 17 de julho de 2014

TANGENTE



Tangente (nunca fui tão teatral, me superei)

Ele sempre sai pela tangente e eu finjo que fujo(celular no silencioso)! Fico admirada comigo mesma e nem me reconheço... tão pouco reconheço esse it que habita dentro de mim. 
Depois dessa filosofia de botequim, regada a vinho tinto seco, provavelmente por medo ou sei-lá-o-quê... Sumirá por mais 2 longos torpedos, ou talvez 5, ou talvez 7, que sempre é seu recorde. Mas, esperançosamente espero, que não seja nenhum desses números. Amo quando chega a 10. 
Ele consegue ser mais detalhista que eu, ainda bem! Hoje eu prefiro tudo o que não é sucinto e abreviado. Pois breve, já é o dia que diz ter 24h, mas parece 12h. 
Eu queria inverter as horas, inventar dias, aumentar os meses, duplicar as estações, multiplicar os fins de semana e subtrair as segundas-feiras.
Mas nada adiantaria, se tu não existes e eu, sou apenas o reflexo de uma imagem que ecoa num poço artesiano. 

Lilian Flores 

www.contoscontidos.blogspot.com.br




Lilian Flores

sexta-feira, 11 de julho de 2014

SEMPRE

Sempre é um talvez.
Sempre é um amanhã que não chegou ainda.
Sempre é a esperança fantasiada de futuro.
Sempre é um passado que insiste em ser presente, sempre.
Sempre é um presente que não quer se despedir, nunca!
Sempre é até agora.
Sempre é você depois de amanhã.
Sempre é você ontem e hoje.
Sempre é um desconhecido que desaparece na neblina, como se fosse fantasma.
Sempre é existir até a meia-noite.
Sempre é existir nas 24horas.
Sempre é o sapo que não virará príncipe.
Sempre é um príncipe com alma de sapo.
Sempre é a música camuflada de silêncio.
Sempre é adormecer no sonho de alguém.
Sempre é sonhar acordada.
Sempre é uma noite bem dormida.
Sempre é um até logo.
Sempre é um continuar continuamente.
Sempre é desistir para esperar.
Sempre é esperar para não desistir de esperar, jamais!
Sempre é um nunca que deseja não existir.
Sempre é um jamais que chegou cedo.
Sempre é um êxtase, implorando até o final.
Sempre é um orgasmo de mil e uma noites.
Sempre é um eterno.
Sempre é um início que deseja ser um final...
Pra todo o sempre!
Amém!


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Pão e Circo no país do futebol!

PÃO E CIRCO NO PAÍS DO FUTEBOL
(Crônica quentinha saindo do forno das minhas ideias - inspiración viviente!)

Futebol é um esporte bom e que faz muito bem para o físico! E para algumas mulheres como eu, para os olhos também. Aliás, pouco entendo de regras etc e tal, mas torcer para que a bola balance na rede do time adversário, é tudo o que todos querem quando estão assistindo uma partida de futebol. Principalmente, se estamos falando de Copa do Mundo. Além é claro, de um olhar atencioso aos atributos físicos masculinos, como: os tórax dos jogadores alemães, as abundantes bundas dos nossos brasileiros, o vigor incansável dos times africanos, com suas belas madeixas black-power, as pernas torneadas dos italianos e o charme sex appel dos espanhóis, a la Bandeiras!! 

Ontem, foi um dia trágico para alguns muitos brasileiros, pois vimos a rede balançar várias vezes, no entanto, não a nosso favor. Perdemos! E perdemos de feio, há de se assumir. Porém, todavia, entretanto... perdemos ao longo desses 514 anos de história, títulos muito mais importantes que sermos hexacampeões. 

Ou seja, estamos em penúltimo lugar em qualidade de educação; nunca ganhamos um prêmio Nobel de Literatura, ou física, ou medicina, ou química, ou até mesmo da paz...; nossa saúde pública é considerada uma das piores do mundo; além é claro dos transportes públicos, estradas e rodovias, portos, violência, roubo, corrupção, entre outros rankings, da qual nos esquecemos com grande facilidade e só nos lembramos em épocas de eleições, com o único objetivo: utilizar tais informações, gráficos e rankings para alfinetar uns aos outros, de forma democrática. Ou seja, em tempos de redes sociais, as flechas vão para todos os lados!!!!E de quem é a culpa? 

Como disse, temos 514 anos de história. Há 12 anos a antiga esquerda, o PT, está no poder e os outros 502 anos, sempre esteve uma direita, ultraconservadora que sempre saqueou nosso país, e pior, proibindo quaisquer investigações; e tendo como lema para eleição e reeleição, na boca do povão: ele roubou, mas fez! Tudo mancomunado com uma mídia tão corrupta quanto os próprios políticos. 

Prova disso, são reportagens que só eram veiculadas na revista IstoÉ, desses desmandes eleitoreiros de uma extrema direita que hoje se traveste de paladinos da ética política. No entanto, é importante relembrar alguns fatos, pois, ¹"no início do seu primeiro mandato, em 1995, FHC fincou o marco que mostraria a sua conivência com a corrupção. Ele extinguiu por decreto, a Comissão Especial de Investigação, criada por Itamar Franco e formada por representantes da sociedade civil, que visava combater o desvio de recursos públicos. Em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, ele criou a Controladoria-Geral da União, mas este órgão se notabilizou exatamente por abafar denúncias" como: a Pasta Rosa, Sudam e Sudene, Sivam, farra do Proer, Juiz Lalau, sem contar as falcatruas nas privatizações da Telebrás e Vale do Rio Doce. E a culpa pelo caos em nosso país, tem um culpado(a) apenas?

Nesse ano de Copa das Copas e de Eleições, se vê de tudo nesse facebook. A mídia enaltecendo o futebol de Neymar Jr., as mulheres como eu, estonteadas pela beleza de Fred, Hulk e Júlio César; a paixão coletiva pelo carismático David Luiz; os pseudos boletos bancários pagos pela Dilma na compra da Copa; entre outras situações cômicas e/ou reflexivas (crônicas). E a culpa pelo Brasil ter perdido a Copa é apenas do marrento Felipão? 

Oras, não estou aqui para meter o pau no Felipão e nem para defender a Dilma. Mas cá entre nós, a moral da história parece que só se satisfaz quando encontramos alguém para Cristo. Alguém para literalmente crucificarmos! Parece brincadeira  de queimar, bater e maltratar o boneco Judas, na tal semana Santa,  feita pelas crianças, mas instigada pelos adultos.

É ingenuidade acharmos que o Felipão é o único culpado, temos uma mídia, patrocinadores entre outros fatores que fazem pressão para que tais jogadores estejam em campo, sem que mereçam. Um exemplo é o colírio do Fred, camisa 9, jogando na posição que Ronaldão jogava e que marcou apenas um gol, num sacrifício danado. Enquanto Ronaldo até ontem, era o jogador que mais marcou gols em Copa do Mundo. Entre outros casos, que vocês leitores podem citar melhor que eu, que sou uma leiga nesse assunto.

Assim também, é hipocrisia dizermos que nosso país está como está por culpa de Dilma e/ou Lula; ou por culpa de FHC e/ou Itamar Franco, Sarney, entre outros (ex)governantes. A corrupção está entranhada no tal jeitinho brasileiro! Enquanto não pararmos para educar nossos filhos e não delegarmos essa atribuição à escola; enquanto ficarmos dando mais ibope  ao futebol, carnaval e novelas que à educação, saúde e cultura; enquanto continuarmos de braços cruzados sem reivindicar nossos direitos; negligenciando nossos deveres: burlando IR, sonegando impostos, trapaceando seguros; comprando diplomas; subornando fiscais e policiais; surrupiando materiais de escritório para o material escolar dos filhos; vendendo o voto por cargos políticos, cestas básicas, bolsa de estudos em escolas particulares, etc... enquanto os brasileiros tiverem orgulho dessas falcatruas, compactuando com tais posturas; enquanto só ficarmos procurando culpados, olhando o cisco no olho do vizinho e esquecendo da trave que existe nos nossos olhos. Não importa quem estiver no poder: ele ou ela, estarão fadados à eterna corrupção!

Mas que possamos nos auto avaliarmos a cada dia, antes de atirarmos as pedras, pois nessa ciranda de partidos e seus políticos, de times e seus jogadores, não existem inocentes, talvez alguns ingênuos. Mas infelizmente, existem brasileiros corruptos e/ou corruptíveis...porém, mesmo assim, eu tenho uma ingênua fé que existam e que hão de existir sempre, os incorruptíveis. Por isso, ainda voto e mesmo perdendo de 7x1, continuarei torcendo pelo meu país, sempre!

Pão e Circo para todos!

Shalom!

Lilian Flores 



¹www.conversaafiada.com.br

Oswaldo Montenegro - Metade


segunda-feira, 23 de junho de 2014

APAIXONADA

APAIXONADA

Hoje, meu pastor, Roberto Buriti, perguntou-me se eu estava APAIXONADA? Eu, rapidamente, respondi que não! Óbvio! Para estar APAIXONADA é preciso estar acompanhada? É preciso pensar em alguém? É preciso...
Em uma fração de segundos, pensei em todas essas alternativas, somando os nãos, resultado final = Não! Mas, vim pra casa e aqui estou pensando ainda na pergunta intrigante e que me pegou de surpresa. Pensando bem nela, totalmente relaxada, vendo postagens no facebook, curtindo e compartilhando informações (in)úteis, sentada, sem salto alto, sem bolsa pesada nos ombros, sem maquiagem, sem brincos e anéis... chego a conclusão que estou apaixonada, SIM!!!!
APAIXONADA pela vida! APAIXONADA pelos meus 3xxxxx anos bem vividos. APAIXONADA pelo meu cabelo, que nunca foi tão domesticado e obediente como agora. APAIXONADA pelas minhas unhas, que estão verde-amarelas pra celebrar a copa no Brasil. APAIXONADA pelo meu sorriso, que com a maturidade, ele só acontece quando realmente se faz necessário. APAIXONADA pelo meu olhar que vê a alma e o que está atrás do pensamento. APAIXONADA pelos meus seios, que ainda alimentam minha filha. APAIXONADA pelo meu cérebro, que está mergulhado em projetos de mestrado, leitura, teatro, agricultura familiar, etc... APAIXONADA por essa maré de inspirações que não sei de onde vem. APAIXONADA pela minha fé que me fortalece e me renova a cada manhã. APAIXONADA pela minha intensidade, a qual uso sem medidas em tudo que faço e me dedico... uma palavra desconhecida nessa nova geração tão superficial. Aliás intensidade e superficialidade sempre estiveram em pontos extremos. APAIXONADA por todos os nãos que dou todos os dias. APAIXONADA pelo sim que ainda está por vir... APAIXONADA pela serenidade que anda de mãos dadas com a maturidade nessa minha nova-velha estrada. APAIXONADA pelo mar... Ah! Ele é a extensão da minha alma, que é tão inquieta, profunda, infinita...além do ser humano, o mar pra mim é também uma obra prima da criação. APAIXONADA pelo silêncio que me inspira e devora meus pensamentos profanos. APAIXONADA pelo AMOR que mora longe, mas perto vive. APAIXONADA pelo amanhã que bate à porta. APAIXONADA pelo sábado e pelo domingo, onde posso ser apenas Lilian. APAIXONADA pela minha profissão que ensina àqueles que querem aprender. APAIXONADA pelos meus alunos que acordam todas as Lilian's que vivem dentro de mim. APAIXONADA pela Língua Portuguesa que é a mais perfeita contradição da palavra. APAIXONADA pela minha voz tão modulada, que adormece e acorda corações para ouvir as inúmeras histórias, que estão anexadas em meu portfólio mental. APAIXONADA pela primavera-verão que demora uma eternidade pra chegar. E quando chega, parece não querer mais ir embora. APAIXONADA pelo café com leite quente, que esquenta minhas noites frias. APAIXONADA pela minha filha, que além de Deus, é o único amor correspondido até hoje. APAIXONADA por JESUS que além de homem, revolucionário... Ele é Deus! O meu Deus! O único que é APAIXONADO por mim e por ti, ao mesmo tempo, sempre!

Lilian Flores

terça-feira, 17 de junho de 2014

Filha

Você preenche meu tempo, meu espaço, meus dias, minhas noites, meus pensamentos!! Você me faz melhor a cada manhã. Ao teu lado, me sinto também menina, bebê, criança grande, mulher e a melhor MÃE do mundo. Quatro anos que logo, logo se completarão e tudo parece que aconteceu antes de ontem...Amo você mais que o ar que respiro! #obrigadaDeus

Sua Mãe

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Desistir


Desistir

Não sei se estou certa ou errada...mas quem está certo? As vezes sou tomada por uma vontade imensa de desistir. Continuar ou não continuar? Esperar ou não esperar? Esperar o quê? O que está para acontecer? O acaso? O amanhã? Não quero apostar corrida comigo mesma. É cansativo demais correr. O corpo sua por inteiro...o coração quer sair pela boca... as pernas tremem...e as veias quase saltam da pele... Mas de repente, lá estou eu pronta para o próximo dia e para a próxima corrida. É viciante! Você não quer, o cansaço vem a memória e junto a ele as histórias que você já conhece o final. Mas o corpo sempre fala mais alto. Ele tem voz própria e pede: quero mais!
Porém, ficar parada e sentada esperando, esperando, esperando é também cansativo demais. Um cansaço que cansa a alma. De repente, tudo se desfalece, a inspiração some, a preguiça toma corpo e forma, a esperança adormece, a fé que aparentava inabalável, dança valsas vienenses.  E entre um passo e um compasso amanheço disposta novamente a continuar tentando, mesmo que seja só até amanhã...

Lilian Flores


www.contoscontidos.blogspot.com.br

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Ausência

Não vou dizer mais nada... tudo o que eu disser não vai adiantar, serão palavras soltas ao vento... Só posso dizer que lamento. Que gostei de verdade de você, das nossas conversas, do seu olhar, do seu jeito, de tudo... mas não sei definir em nome o que somos e quem somos? Sem comunicação é impossível! É um monólogo cansativo, triste, dolorido demais pra minha alma inquieta... Isso não está me fazendo bem. Está me perturbando, me tirando do eixo, da centralidade, da lucidez...É inspirador para escrever, mas horrível de se viver. E entre escrever e viver, opto por viver, sempre! Escrever é apenas minha fuga, ora refúgio, ora um grito, ora minha sina, ora um desabafo, ora uma necessidade, ora um contentamento, ora um orgasmo, ora aleluias... Sou viva demais para sucumbir a vida, pra optar pelo sofrimento e pela dor que são os dois melhores ingredientes pra serem despejados num texto, como estou fazendo agora. Eu quero sempre o sorriso aberto, os pensamentos livres, sempre bem livres, o corpo feito em nós, coração palpitante, olhos brilhantes e um tremor que vem das pernas até o fio dos meus cabelos. E quando sinto que não estou sentindo isso, penso que estou entregue a sepultura, estando ainda viva. Sou alegre demais para me entregar a tristeza profunda do silêncio latente que existe entre nós agora. Será você uma visagem? Um it? Um Eu que não existe? Um homem que deseja apenas perturbar-me da forma mais cruel possível? Pois, sabendo meus pontos fracos em relação a ti, que é o teu silêncio e a tua presença, então resolve, na mais sã consciência, tirar-me de uma só vez, ambas as fraquezas que sempre fizeram de mim, nesse nosso ponto de encontro, uma mulher em êxtase.

Lilian Flores

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Sumiço Repentino

Há uma eternidade de horas sem falar com você.
Há milhas e milhas de estrada que nos separam.
Agora são

                        
Acho que aquele até...
Profetizou um adeus
para uma eternidade
Imediata?
Pra sempre?
 
Mas sempre não é todo dia...
Amém!
 
 
Lilian Flores
 
 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Nó

Eis o nó atado entre meu peito e minha garganta. Por quem? Alguém! Talvez um marinheiro, que conhece a maçonaria dos nós. Respiro com dificuldade quando sinto sua presença e conto os segundos de taquicardia pra não morrer na véspera da viagem. Seu silêncio é devorador! Devora as palavras, o sorriso, a alma, os sonhos, o sono, a noite e o dia... Sobra somente o aroma de vinho tinto-seco no ar, misturado com a maresia do mar que nos rodeia. Por horas não fala nada, apenas escuta como se estivesse avaliando a Carta Náutica da próxima viagem. Vai decodificando as informações: Lua Cheia, Maré, Profundidade, Pedras, Bancos de Areia, Faróis, Milhas e por fim a Rota. O nó se aperta cada vez mais...

Lilian Flôres

terça-feira, 6 de maio de 2014

Príncipes

Hoje estou feita em pétalas. Exalo cheiro de lírio e perfumo um pântano onde só habitam sapos. É meia noite, lua nova, outono, céu nublado e todos os príncipes desencantados... ainda bem!?

Lilian Flôres

sexta-feira, 7 de março de 2014

SOMBRA



SOMBRA

Minha assombração,
Sombra de minha'lma,
Fantasma de uma ópera muda....

Sinfonia afinada em dor menor,
toda feita para encantar plateias...
Para sempre!!!!!!

Lilian Flores

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

200 dias letivos?


2 + 2 é igual a 4? Para uma criança pode ser 22. Há quem diga que 2+2 é 5. Seria a matemática totalmente exata? Ou tudo depende do ponto de vista que olhamos? E 1 ponto de vista é visto de apenas 1 ponto. O certo seria ver todos os pontos. Mas a grande questão é: quantos pontos? I-N-F-I-N-I-T-U-D-E!!!!!!

Gente, estou falando de um assunto que não domino e nunca dominei. Matemática e seus números são pra mim um E.t. de Varginha. Mas confesso que admiro aquelas pessoas que calculam com os olhos. Lembro com profundo carinho do professor HÉLIO de matemática da 7ª série, lá do Claurinice ou CVC para os íntimos, que dizia que hipotenusa rimava com o rabo da tartaruga. Como desde aquela época eu já tinha uma queda por poesia, achava aquilo lindo. Eu ficava extasiada e desesperada ao mesmo tempo, com um problema cheio de x e y, onde a resposta tomava conta do quadro todinho. Em matemática eu só era íntima mesmo do número 7, porque essa era minha nota no boletim até o 3º bimestre. Sim, porque no 4ºbimestre, batia aquele espírito natalino e o professor por piedade, me dava 8.

Porém, todavia, entretanto... eu e todos aqueles os professores que pediram para que eu escrevesse uma crônica sobre o 200 dias letivos; gostaríamos de entender a matemática desse cálculo. Pois, todo o ano é a mesma polêmica: "por que vamos parar amanhã, se o Estado parou ontem?" Daí alguém sempre diz: "ontem não, antes de ontem". E a culpa toda é sempre do Ministério Público que se souber que pararam ontem e não hoje... ai, ai, ai!!!

Vamos arregaçar as mangas e calcular nossa jornada letiva. Segundo a física passada, o dia tem 24h, mas segundo pesquisadores pós-modernos, o dia tem apenas 16h. Vixe! Então teríamos que trabalhar mais ainda? Estaríamos devendo? Vocês matemáticos de plantão que calculem o quanto. Ou melhor, esqueçam esse detalhe, afinal já está estabelecido como 24h o dia. Deixamos as sensações para a metafísica.

Há também um cálculo histórico-geográfico, ou seja, temos 200 dias letivos e uma jornada de 800 horas e estamos em uma das piores colocações, penúltimo lugar (39º) em qualidade de educação. A Finlândia que está em 1º lugar no ranking mundial, tem 188 dias letivos e carga horária de 1200 horas aproximadamente. Pois lá, as aulas começam apenas às 8.30h ou 9h e terminam às 15h, ou seja 7h de aula por dia -, o chamado período integral. Uma realidade um tanto utópica, visto a quantidade de escolas que temos para a quantidade de alunos. Precisaria no mínimo do dobro de escolas ou a metade de alunos. Mas como já dizia a Mocidade Independente de Padre Miguel " sonhar não custa nada, quando o sonho é tão real..." Olhando por esse ponto, estamos quites? Ou como diz a minha mãe: "elas por elas!"

Enfim, essa crônica não tem a intensão de achar culpados, mas de juntos buscarmos refletir sobre alternativas possíveis de ofertar um ensino de qualidade para os alunos e uma jornada de trabalho justa para nós professores, onde não teríamos que fazer "hora-extra" ficando após o horário para entregar boletins; reuniões de conselho de classe; entre outras paradas não contabilizadas monetariamente.

Tenho saudades do tempo em que parávamos um dia para entregar os boletins e ao mesmo tempo conversávamos com os pais. Saudades do tempo em os "bons" alunos não pagavam a conta dos "maus", ou seja, aqueles que estudaram o ano inteiro e conseguiram passar direto em todas as 9 disciplinas heroicamente, eram contemplados com umas férias mais longa e merecida. Enquanto os demais, ficavam mais 20 dias estudando, tendo aula de "reforço", para então, fazerem o Exame Final. Sinto profunda saudade da maratona de cursos que tínhamos na Univille, no Centro Eventos, entre outros espaços.

Vamos ver o que nos espera nesse ano de COPA DO MUNDO, do país do futebol, do carnaval e das novelas; quiçá dos livros. "Sonhar não custa nada..."

Lilian Flores  

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013


O TEATRO MÁGICO COMEÇOU: CONSELHO DE CLASSE!!!!!!!
 



Antes de começarem a atirar as pedras em mim, confesso que não sou a melhor professora, muito menos a funcionária padrão ou professora destaque do mês! Também está longe da minha vontade adquirir quaisquer desses “títulos”. Até porque, o que é ser padrão? O que é ser melhor? Para muitos, bajular chefias, dizer sempre sim; concordar na frente e discordar por trás; dizer amém sem rezar o pai nosso!

E assim as máscaras vão se estabelecendo e de simples máscaras tornam-se personagens reais. E aí já viu, no Grande Conselho de Classe aparecem inúmeras personas; desde Madre Tereza de Calcutá até Freddy Krueger.

Mas a grande questão não são os personagens que cada um se apropria na hora H, mas os olhares de fuzilamento; as caras e bocas e o “Soberano Conselho” ou Conselho Soberano” como preferir; sentenciando aprovações e reprovações com as justificativas que vão desde “cuidado! A mãe é barraqueira!” até “tadinho, ele é bonzinho”.

Enfim, inicia-se a tragicomédia! Luz, câmera e ação.

Eu sou contra a reprovação, mas também sou contra a aprovação automática. Principalmente a aprovação automática que nem pra exame o indivíduo vai. Pasmem!

O pior é você descobrir que tem amigos de trabalho que passam os alunos sem exame para não ter que fazer prova contemplando os assuntos ministrados durante o ano letivo ou porque estão cansados e não querem perder tempo corrigindo provas de alunos que dizem eles que serão aprovados. E provavelmente serão mesmo. Não duvido! Se continuarmos com essa postura despreocupada.

Afinal, enquanto somente 3 a 5 professores deixam alunos em exames, outros para justificar sua preguiça pedagógica, usam como muleta a desculpa que serão aprovados indo ou não para exame. Claro que tem alunos que não ficam em exame em disciplina nenhuma. Mas temos o outro extremo, que são alunos “problema” como os analfabetos que estão no ginásio; os faltosos; os que apresentam dificuldades de aprendizagem; os preguiçosos, indisciplinados, entre outros rótulos.

Alunos esses, que na minha humilde opinião, deveriam ficar de 5 a 9 disciplinas pelo menos. Para que no mínimo, ele e a família repensem sobre seu comportamento, sua falta de interesse, seu descompromisso e omissão.

Sou novata no magistério, tenho apenas 10 anos de experiência profissional, como professora de Língua Portuguesa. Portanto, posso dizer que sou uma pré-adolescente nessa profissão tão desgastante e tão gratificante ao mesmo tempo. Talvez um dia eu me arrependa do que estou escrevendo agora. Mas caros colegas, eu precisava...Não! Eu preciso por no papel minhas angústias.

Angústias essas, que não são apenas minhas, mas de amigas(os) de trabalho que estão nesse mesmo barco: com inúmeras provas de recuperação paralela para corrigir e elaborando as provas para os exames finais. E todos preocupados com os alunos e não com seus umbigos.

Pois acreditem, tem professores indignados porque alguns alunos foram com notas muito baixas nos primeiros bimestres e por isso querem mudar a nota para que o aluno seja aprovado automaticamente, sem nem passar por exame.

O pior é que não é a direção ou supervisão e orientação escolar solicitando tal absurdo. São professores! Pasmem pela segunda vez!

E muitos desses professores são os primeiros a pegar o microfone nos cines teatros da vida para falar de aprovação automática por parte do sistema educacional, completamente indignados.

Tem professor que o espelho dele é nota 8 para todos, sem discriminação. Parece até piada. Os próprios alunos se questionam e comentam nos corredores e salas de aula “Vê professora, eu fiz tudo ganhei 8 e o fulano que não fez nada, nem vem mais para a escola e também ganhou 8, dá para entender? Que doideira, todo mundo da sala ganhou 8”.

Claro que nessa hora você faz cara de paisagem porque é anti ético defendê-lo nesse momento, na qual você está a par da situação completamente errônea, porém também é antiético denegri-lo. Mas eu fiquei pensando com os meus botões, dando aquele sorriso amarelo... Mal sabe ele que 8 foi a nota dada para todos os alunos da escola! Pasmem pela terceira vez!. Isso é mágico!

Tudo bem que o aluno vá passar depois, porque no fim das contas conseguiram um laudo ou porque as madres Tereza's de Calcuta's entraram em ação. Mas pelo menos ele foi para exame, fez prova com várias disciplinas e não apenas com 2 ou 3.

É tragicômico! Só quem está presente consegue entender a complexidade que é avaliar um indivíduo. Não dá para ser 100% racional e nem 100% emocional é 50% de cada, e encontrar esse equilíbrio na hora do pega-pa-capa, não é tarefa fácil.

É colocar na balança as habilidades cognitivas, linguísticas, motoras entre outros pesos e medidas.

Nesse momento, você enquanto professor se coloca no lugar do aluno, do pai e da mãe e querendo ou não, acaba lembrando do seu tempo escolar. Do quanto você era estudioso ou não; do quanto você era bagunceiro ou não; do quanto você era rebelde ou não... e com profunda tristeza você lembra dos seus amigos que pararam de estudar e se perderam no caminho das drogas; mas com alegria você também lembra daqueles que mesmo parando de estudar encontraram uma profissão e estão vivendo dignamente e as vezes melhor que você, no seu próprio negócio, feliz e sem estudo acadêmico.

Porque a escola é uma faca de dois gumes e ser professor é tentar pelo menos saber usar a faca, afim de separar juntas de medulas e chegar no coração para dilacerá-lo, tentando achar nele terra fértil.



Lilian Flores

 




domingo, 20 de outubro de 2013

GENTE SANTA OU SANTA GENTE?


Tem gente que não frequenta igreja porque acha que é lugar de gente SANTA. Caro amigo(a), sinto decepcioná-lo(a), mas IGREJA, é lugar de GENTE! Gente como a gente. Que dorme, acorda, dorme de novo, come, fala, estuda, trabalha etc... e por ser lugar de gente, como qualquer outro lugar, é cheio de problemas. Aí já viu...você vai encontrar gente preguiçosa, gente mentirosa, gente fofoqueira, gente adúltera, gente ciumenta, gente elegante, gente brega, gente, gente, gente, gente... muita gente! Gente pra todo gosto e pra todo o tamanho.

Mas como? Essa é a pergunta que não quer calar!

Simples! A diferença é que a IGREJA, não a construção em si, mas sim a igreja, lugar preenchido por gente como a gente, é como um jogo de espelho, você vê no outro as suas limitações, potencialidades, erros, acertos, medos, traumas... enfim, seus fantasmas. E de repente, você percebe que fulano conseguiu se livrar das drogas porque ele fez assim, assado e cozido. Então, você se impressiona com a receita e vai tentar seguir levar a risca as quantidades corretamente. Pode dar certo e geralmente dá, porque a receita é JESUS + ORAÇÃO + PALAVRA DE DEUS(BÍBLIA) + JEJUM + FÉ + SEU QUERER. Não é uma receita complicada, mas como todas elas, exige tempo, dedicação e AMOR.

Mas a grande questão não é ter a receita em mãos, é querer mudar, é tentar mudar, é não desistir de querer tentar mudar! Ufa! Dá um cansaço, principalmente pra aqueles que ficam tentando, e claro, para o PASTOR que ouve "diumtudo" (palavra que acabei de ouvir) e no fritar dos ovos assume postura de pai, irmão mais velho, tiozinho, psicólogo e outros personagens.

RESUMO DA ÓPERA: Não existe igreja perfeita e nem gente santa, porque não existe ser humano perfeito. Podemos ser aperfeiçoados e santificados, ou seja, em busca da perfeição e em busca da santidade, que para nós cristãos, cremos, que está em CRISTO JESUS. Portanto, como Ele disse há mais de dois mil anos atrás: “quem não tem pecado, que atire a primeira pedra.”

Então, a solução é sair da igreja? A solução então é: salvem-se quem puder? Ou, pior: ficar se alfinetando por olhares de indiferença, disseminações de fofocas, palavras soltas no face como se fossem roupas no varal?

Acho que nenhuma das alternativas, apesar de estar nesse momento utilizando-me da terceira alternativa. Não tenho respostas para tantas perguntas, mas creio no perdão genuíno, na reconciliação, no amor ágape... porque a obra que o Senhor nos confiou, não pode perecer. E A ÚNICA CERTEZA QUE TENHO é que devemos sempre estar nos olhando no espelho da nossa alma, onde reflete nosso caráter, afim de estarmos aperfeiçoando-o, mas tendo como ÚNICO modelo JESUS CRISTO.

 
Lilian Flores

sábado, 15 de setembro de 2012

A Poesia

A poesia:
Afina
Refina
Acorda
Recorda

Os acordes dos sentidos...


Lilian Flôres.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Vigília

Você é meu pecado maior! Pensar em ti é fazer vigília numa madrugada que não foi feita para o adeus!
Lilian Flôres

Adeus

Que bom que você voltou, mesmo que seja para dar adeus novamente!

Lilian Flôres

A Linha

Há linhas retas e tortas. Em determinados momentos é preciso ser linha reta. Já em outros, tortas. Sem querer eu escolho a torta. Elas me levam a rabiscos, vírgulas, aspas, pontos de interrogações... mas confesso que as linhas retas me fazem falta. Nelas teço riscos que vão seguindo em frente, sempre em frente, até chegar lá... Lá, onde não se pode ver, onde só se chega mergulhando, onde o sol já se pôs e o vento passa longe. Lá só se pode ouvir o pio dos pássaros. Lá, onde só eu e você podemos ir?!

Lilian Flôres

Peixe

Eu queria te salvar, mas falta-me o anzol e tu és peixe grande demais para a minha ísca. 
Lilian Flôres

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Vento

Vento que acordam os sinos, que entrelaçam sonhos, que sopram segredos, que gritam mistérios...

Lilian Flôres

sábado, 11 de agosto de 2012

Alma Verde

Alma verde é o que tenho ou penso que tenho. Talvez ela seja branca e meu segredo é pintá-la de verde e assim, vou me disfarçando, como camaleoa que sou. Nesse momento penso que estou verde, porque estou sendo alguém que quase sou. Eu, abstrata extensão de mim mesma. Como uma lagarta que despreocupadamente vai se perdendo entre folhas e flores e ao se encontrar consigo mesma, pensa em voar... Depois do sol nascer, totalmente livre de seu casulo, bate asas de desespero em busca de néctar e vento.

Lilian Flôres

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Mentira

A mentira é um câncer que corrói o que há de mais genuíno e puro: o corpo sano -, que contamina a alma e juntos adoecem .

Lilian Flôres

Declarações

Amo as palavras que transpiram pelos teus poros.

Lilian Flôres

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Azul

Eu não poderia escrever esse texto se não estivesse utilizando tinta azul, porque outra cor seria traição e eu sou fiel. Fidelidade é azul como o mar e o latido do meu cachorro que grita: Saudades! Assim que me vê... Só que eu não o vejo e nem respondo seus lamentos. Apenas gosto de sentir os latidos ecoando em meus ouvidos, fazendo vibrar meus tímpanos, assim como os sinos vibram as vigas e as paredes da igreja matriz.É como se eu gostasse de vê-lo implorar por minha presença.


Outra coisa muito importante que é azul também: é a amizade. Ela nasce sem se pedir e só morre quando morremos. Assim como as flores do campo que nascem sem se plantar. E apesar de não darmos a devida importância, são elas que enfeitam as estradas, colorindo o mato verde e a poeira que há no meio do caminho. 

Assim também é a amizade que colori os dias cinzentos e as noites secretas que tentamos esconder de nós mesmos. Quando pensamos que está bem escondido, percebemos com seu doce olhar, que descobriu-se o que estaria atrás do pensamento. Depois de desvendado o mistério, só resta mesmo traduzir em palavras, sorrisos, lágrimas o que o olhar não disse. 


Ah! Lembrei... A felicidade também é azul. Mas eu tenho medo dela. Ela é silêncio acordado e sempre dorme na véspera. Ela tem um quê de felinidade, como os gatos: aparentam mansos e dóceis, mas quando o tocamos, tornam-se ágeis e vorazes. Temo o que não consigo sentir. 


Lilian Flôres

O Obscuro

Queria descrever o obscuro, mas ele se camufla de silêncio e quando tento pegá-lo, escapa por entre meus dedos; como a água do mar que deixa apenas seu cheiro de maresia entranhado em minhas veias. Por isso queria ver o silêncio se esvaindo em sangue. Assim quem sabe mataria minha vontade de entender o que não se vê.
No momento em que me olho de fora para dentro, vejo o nada. Fico noites a contar estrelas decaídas, tecendo pedidos que sempre chegam depois da hora marcada. De mãos vazias, olhos sonolentos e coração ensonharado, volto a alcova em que fui gerada. Fecho os olhos e me jogo em precipícios, ando a cavalo, grito, gemo, pulo e aterrizo numa madrugada que não foi feita para dormir. E como dama da noite permaneço muda e perfumada para o sol que surge à janela de meu quarto.

Lilian Flôres

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

VEJO

Eu vejo o ar que se respira todo coberto de poeira.
Vejo a luz que brilha ao longe nesse inverno que não termina.
Vejo gotas de chuva que refrescam meus sonhos guardados em lugar secreto.
Vejo um amanhã que se inicia.
Vejo teus olhos que me vêm todos os dias, noites e madrugadas.
Vejo Tu que não dormes nunca.
Vejo a insônia que te consome a noite inteira.
Vejo o que não silencia:
O grito, o sussurro e a euforia.

Lilian Flôres

PECADO CAPITAL

Você é meu pecado mais que capital. Antes meu cardápio era doce sonho. Agora, amargo pecado, tão rubro quanto o sangue do cordeiro.
Lilian Flôres

terça-feira, 18 de agosto de 2009

CONCRETO

Queria dizer sim, mas sim é talvez e talvez é o aborto e o aborto é a precoce resposta e a precoce resposta é não. Um não que deseja ser sim. Mas o sim é concreto demais, que de tão perto, dentro vive sempre!
Lilian Flôres

AMOR

Amor, Amor, Amor, Amor???? Amar o que não se vê? O abstrato? O invisível que se faz visível? Amor que começa e não se finda, perpetua-se. Como o doce cheiro das águas do mar. Amor que continua, continua, continua, até... até não sei quando. Talvez até onde inicia o não e termina o sim. Assim como a chuva molha o mar.
Amor que mora longe e perto vive. O concreto sentimento que se abstrai pela ausência de não ter. Se auto-possui do nada, na esperança de ser possuído pelo tudo. Se flagela pela dor de perder o que nunca se teve.
Amor que grita silêncio para sufocar a saudade. Amor cozido pelo frio da madrugada que choca o ovo recém nascido. Ovo que descasca vida!

Lilian Flôres

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

CENA

Queria tanto ser ouvida. Queria tanto enxugar meus prantos. Queria tanto dizer adeus. Queria tanto apagar a indiferença. Queria tanto invadir o palco e roubar a cena. Eu queria...mas não posso. Este monólogo é da protagonista.

Lilian Flôres

CANTANDO AMOR

Hoje estou feita em relâmpagos. Ora acordo. Ora adoeço. Queria rasgar meu peito, gritar socorro e pedir esmola. Mas nada adiantaria. Imploro silêncio aos pássaros e desmarco as páginas dos livros não lidos. De repente estou cantando amor e nada mais dorme, nem o silêncio.

Lilian Flôres

sábado, 1 de agosto de 2009

EXTREMOS

Ora sou deserto, ora sou mar. Sou feita de extremos, mas o que eu gosto, é de estar no meio do caminho, onde há fonte de água doce.

Lilian Flôres

SONO

Estou pronta para despertá-lo do sono. Levanta-te, Oh! tu que dormes!

Lilian Flôres

sexta-feira, 31 de julho de 2009

ONDA

Onda que me leva ao silêncio das águas do mar, para depois me fazer repousar em areias brancas.

Lilian Flôres

terça-feira, 28 de julho de 2009

FOLHA

A folha é a ilusão da borboleta, quando lhe revelam o sonho, ela cria asas e se conclui a sempre necessária metamorfose.

Lilian Flores

VENTO

O vento já soprou e não trouxe resposta, trouxe a semente, que ao germinar, revelará o segredo em dó maior.

Lilian Flôres

sexta-feira, 24 de julho de 2009

EU SOU

Eu sou o que não sei que sou. Dizem que me chamo ------, mas eu não me chamo. Chamam-me! Ser o que não somos é sonho, doce ilusão. Ser o que não imaginamos que somos é existir despreocupadamente e ser o que somos é a enganação da realidade. Existir ou não existir? Existir apesar de... Ser é a verdade fantasiada de mentira. Uma mentira que paga impostos. Ser ou ser? Seremos! Seremos o amanhã transfigurado de outono. A palavra camuflada de silêncio. O amor revestido de conveniências. A guerra reinventada de utopia. Sermos? O apesar nos salva.

Lilian Flôres

terça-feira, 21 de julho de 2009

FERRUGEM

O amor é como a ferrugem, corrói as entranhas, os ossos, os olhos... tudo em que há água salgada. Só os seios não se deixam inundar de sal, porque neles há fonte de leite doce. Doce e calmo como as águas do rio em que me banho.
Já o outro extremo é feito de mar salgado, cheira a maresia e é todo revolto. Quem olha para um extremo vê uma serenidade sacrossanta. E quem olha de outro extremo não vê, apenas senti! Senti água, pedras, lírios, escama, cacau e outras coisas que são secretas, porque se eu disser tudo, perde a graça e eu gosto de brincar de pique-esconde.
 
Lilian Flôres

SAFRA RARA

Era verão. O avermelhado verão, quando sentiu entre suas coxas escorrer amor. Um amor rubro, todo feito para o adeus.
Não sabia por quem puxara porque o sangue de sua mãe era tão límpido, quase rosa. Se esvaia por entre quartos, banheiros e cozinha; como uma garrafa de vinho rose se derrama entre taças. Talvez tenha puxado por seu pai. Seu sangue era cristalino e percorria o quintal, ultrapassando o cercado da casa; como o vinho branco que se evapora sobre o pernil assado.

E a pergunta permanecia entre dentes. Era uma pergunta que não tinha resposta. Era uma pergunta que assassinava respostas. A resposta é faca de dois gumes. E por isso não respondia às perguntas, porque gostava mesmo era de ir dizendo.

No fundo temia a resposta. Ter medo era seu modo de viver. Só sabia dizer adeus como seu sangue. Adeus era romântico, religioso e também vermelho. Era como se estivesse desistindo a favor de Deus. Adeus era seu sinônimo de fé. Quanto mais dizia a Deus, mais sangue escorria entre suas pernas. Um sangue que morria na mesma terra em que fora semeado.

Era fevereiro e sol invadia seu quarto pelas frestas da janela e o calor impulsionava-a escrever poesias para exorcizar a vontade de dizer adeus. Como lhe faltava coragem, sussurrava a Deus às palavras não ditas na folha de papel. Como um cordão umbilical se despede do ventre materno e se entrega a mãos salvadoras.

Tentava escrever coisas banais. Queria ser leve. Falar das amoras silvestres, do gosto e do cheiro do café amargo, do silêncio do mar, do peixe que se escama, etc, etc, etc. Mas não conseguia... Tentava. Só Deus sabe como tentava, mas seus pensamentos suplicavam: sangue, vinho, galinha ao molho pardo!E por ser assim, ninguém a entendia, nem ela mesma se entendia às vezes, por isso perdoava, como a galinha perdoa Deus por nascer sem amor.

Queria dizer como vai? Mas como vai é verde e ela queria o vermelho. Mas o vermelho é vinho tinto de safra rara. Não se bebe, contempla-se. Vinho velho em odre novo e eu quero o gosto do carvalho.

Para amassar a uva é preciso amá-la. Para despejá-la dentro do odre é preciso amá-la. E dessa fermentação de amor, ter-se-á vinho nobre. É preciso amar o que se deseja beber e comer. Assim como a minhoca ama a terra e a galinha ama a minhoca e a dona da galinha ama seu pescoço decepado jorrando sangue de seu corpo gordo; para depois vê-la em pedaços, temperada com sal, ervas e sangue morno. No menu: Galinha ao Molho Pardo: sangue que se ama até a morte.

O vinho foi derramado sobre a toalha de linho branco e ela ficou calma, totalmente entregue ao sangue que pulsava dentro de si. Nunca se ama o sangue alheio. O sangue alheio é azul e o meu é vermelho-vinho.

A luz do abajur sobre a mesa deixava o vinho derramado mais vermelho. Queria bebê-lo misturado com o verniz da mesa de canela. Mas naquele momento lhe era proibido. Então tomou-se pela voracidade de dizer adeus. Depois, solitariamente com sua língua escarlate bebeu todas as gotas daquele raro vinho. Nem a toalha poupou, apesar de ter entranhado no bordado, fez o doce sacrifício de tentar torná-la alva novamente.

Amar o invisível é tarefa para os poetas. Eu amo o vinho que se deixa derramar sobre a toalha branca. Eu amo o vermelho da espada-de-são-jorge. Eu amo o sangue. O sangue é sagrado, como a tinta rubra da caneta que escrevo. É preciso pensar no sangue como se pensa em amoras silvestres.

Lilian Flôres

TERRA FÉRTIL

Aqui jaz uma terra fértil cheia de minhocas e caramujos a espera de novas sementes: e eis os frutos crus. Quem os colherá? O jardineiro? Talvez! Mas dizem que Ele só colhe o que está maduro. O fruto que está quase caindo do galho. E ela ainda está verde. Verde e crua!

Ela quer o inacabado... o que está para acontecer...o futuro... o amanhã...o depois e o depois do amanhã. A fruta caída do pé!

O que escrevo não é um grito e sim um sussurro... Um sussurro de ave de rapina. Faltam-me palavras e como sempre o silêncio me consome. Logo eu que grito: - ALELUIAS! O sol bate em minha janela e eu vivo!

E os frutos? Não sei. Agora estão caídos no chão esperando o jardineiro que fingirá não ver alguns deles, para que germine a semente nascida sem se plantar. Amém! O milagre da vida!

E o Bagaço? Esse como sempre fica na beira do caminho, onde os pés nus pisam; os espinhos sufocam e o pássaro come. Come como se fosse seu único alimento.

Mas onde estão as palavras? Como sempre não sei! Então, nos comunicamos com os dedos e como surdos e mudos contemplamos a orquestra de violoncelo.

Cadê o silêncio? Ele pulsa entre os raios de sol que nos separa, entre a terra arada; entre a videira, entre o cálice de vinho, entre o átrio; entre, entre, entre, entre, entre...

Lilian Flôres

segunda-feira, 20 de julho de 2009

TERRAS DESCONHECIDAS

Isso não é um conto, é um sonho. E sonhos são feitos de açúcar. Mas eu quero o fel, quero o que me é proibido. Mesmo que me seja negado. E assim posso sentir ao acordar o gosto de leite talhado, azedo, amargo entre minha saliva e meus dentes.

Sei que terei que despir-me de mim mesma e criar uma mulher. Uma mulher que precisará morrer no final dessa história. Por que estou contando o final? Também não sei. Talvez, porque minha natureza seja desobedecer. Talvez, porque sei que você não gosta de saber o final antes que seja o final. Porém, como isso não é um conto, revelei-te o recheio desse sonho com muito fel e mel.

Luana nasceu condenada a desobedecer. É seu instinto. Quanto mais desobedecia, mais queria desobedecer. Não sei explicar o que a movia fazer justamente o que não queria. E melhor, a fazer justamente o que as pessoas não esperariam dela.

Ela é meu oposto. Por isso estou inventando-a. Nela há um quê de verdade. Nela há um quê de pureza temperado levemente com um quê de sensualidade. Essa pureza provoca-lhe medo, ao mesmo tempo que a sensualidade provoca-lhe coragem. Medo de tocar no que lhe é proibido. Medo de ter o que não lhe pertence. Mas existe alguém que pertença a alguém? Enfim, o medo lhe protege de pisar em terras desconhecidas. Já a sensualidade que percorre suas veias com suavidade, impulsionando-lhe a uma coragem quase que inata. Uma vontade de continuar, de enfrentar as feras e domá-las com carne e vinho.

Essa coragem é que lhe fez participar desse sonho. Um sonho em que ela desconhece o personagem principal. Um sonho que é sonhado por outra pessoa: o desconhecido, o narrador ou a narradora?

Só pode ser a obediência. Eu não me importo de ser a coadjuvante dessa história. O importante é sonhar, mesmo que esse sonho não me pertença. Mesmo que esse sonho seja parcialmente meu.

Por isso eu resolvi participar dele também e tentar salvá-los. Para isso terei que mudar o curso desse sonho. Mexer no que está oculto. Tocar nas palavras não ditas. Alterar os destinos já que eles ainda não foram traçados. Pelo menos não lhe foram narrados. E como conheço o fim, antecipo-me dando ao anfitrião - o herói dessa história, sua carta de alforria, um final de paz. Um final em que fique livre da intrusa. Da mulher que atormenta seus sonhos.

Não será nada fácil, porque ambos rejeitarão esta história. Ela porque não deseja morrer. Como todas quer ser única, imortal, eterna, inclusive nos sonhos. E morrer é ceder espaço para o outro. E isso é autoflagelo.

E ele, porque não está preparado para perder o que deseja. Perder provoca-lhe dor e ele é o mocinho dessa história. E mocinhos são anestesiados. Mocinhos são vencedores. Eles permanecem até o fim, mesmo que pra isso precise virar lenda. Mocinhos sempre continuam...

Por isso quero que eles troquem de papel. Quero que eles se confundam e se fundam num só personagem. O melhor e o pior de cada um intrinsecamente num só ser. Será possível? Não sei. Você é um ou dois? Eu sou dois, três e às vezes quatro. Tudo depende do ângulo.

Não saber das coisas é minha salvação. Não saber é dar a oportunidade ao galã desse sonho pensar e mudar ambas as histórias.

Mas onde estão as histórias? Talvez esse sonho não tenha história. O que sei sobre o herói é que ele gosta de literatura. De ler o que é escrito milagrosamente.

Eu não. Eu venho aqui para mostrar que escrever é necessário. Que escrever é uma faca de dois gumes. Que escrever é traçar o seu próprio destino e transgredir a história já escrita. É mexer no que se pensa ser segredo.

É preciso começar, mas eu tenho certo medo que Luana comece a falar. Ela é desajeitada. Tem uma ingenuidade profana. Luana me assusta. E não assusta somente a mim. Ela assusta o herói dessa história também. Ele tem medo do que ela fala. Ela é impulsiva demais. Fala o que não deve e sempre na hora errada. Ela e ele não me conhecem, portanto não sabem ainda distinguir a pessoa da personagem. Por isso, prefiro me esconder, me omitir.

Esse personagem será um personagem monossilábico. Só ela falará de si. Ele apenas concordará porque não sabe negar o que se pede em silêncio e ao pé-do-ouvido.

Apesar de tão diferentes, são muito iguais e isso me assusta. Assusta tanto, que fico mudamente olhando-os. Ele a olha como se fosse uma fruta madura. E ela não o olha. Apenas senti! Senti que há fogo consumidor e por isso teme seu olhar.

Ao seu lado, ela se distrai fingindo ler livros já lidos. E para camuflar o medo, lê alguns trechos do livro em voz alta para que torne verossímil a leitura. Assim, pensando que ele está atrapalhando-a, conversa com um e com outro e com os botões da camisa. Mas, apesar de aparentar distraída, quando percebe que está perdendo-o de vista, propõe um diálogo em que não precise olhar em seus olhos, e de canto de olho, ela o observa. E assim conversam por longo tempo.

Quanto tempo isso dura? Tempo necessário para se descobrirem. Talvez eles terminem essa história sem se olharem nos olhos.

Apesar de gostar do inacabado, do que está para acontecer. Ela admite desejar aquele homem desconhecido que a convidou para frequentar seus sonhos. Mas para descobrir os seus mistérios, precisará penetrar seu olhar no dele. Por isso acho que não demorará muito para Luana render-se aos seus encantos.

Não foi isso que planejei. O plano era matar a protagonista, mas como fazer isso se agora não sou mais eu que a domina? Ela agora anda com suas próprias pernas. Como matar uma mulher quase muda e quase apaixonada? Reina o silêncio dos inocentes.

E ele? Ele tem um orgulho santo que provoca inveja nos que o rodeiam. Tem cheiro de açúcar mascavo com canela. Suas poucas palavras são cantadas em ré menor. A música entra pelos seus poros e sai pelos seus dedos. Já Luana é feita de fruto e folha. Seu cheiro é de maracujá e seu gosto é de hortelã recém ceifada. A poesia entranha em seus ouvidos e transpassa sua pele.

Ambos se deixam levar pelos sentidos e assim seus olhares invadem suas almas. Uma invasão quase permissiva. Querem se enxergar e como num caleidoscópio vêm suas imagens e desejos refletidos um no outro.

Aos poucos vão se entregando. Palavras, olhares, vinho, mãos, saliva ... calmamente encontram-se entre sussurros e gemidos.

Lilian Flôres

TERRA LAVRADA

Maria era mulher de todos os dias. Era feita de braços, pernas e peitos. Os braços acolhiam todos que precisassem de um ombro amigo, uma ajuda ou até mesmo um cortês cumprimento. Não era mulher tímida, pelo contrário, sempre estava à frente de tudo e de todos. Às vezes até sem permissão. As pernas e os peitos eram seu segredo maior. Não os mostrava para ninguém. Sempre de saias compridas ou longos vestidos que escondiam desde seu tornozelo carnudo até seu pescoço.

Um dia foi ao médico e descobriu que estava quase surda. Sofria de surdez passageira. Logo ela que apesar das vestimentas discretas era feita em pura alegria. Teria agora que aprender a conviver com o silêncio de seus risos. Além dos seus, não ouvia os alheios também.
 Estava aprendendo amar o silêncio. Não era tarefa difícil, mas também não era fácil. Digamos que poderia ser possível. Como é possível se aprender a escrever.

Eu queria escrever o silêncio, mas ele me é proibido. Tem gente que acha que o sussurro é silêncio. Eu acho que o grito é o silêncio. Eu sou escandalosamente silenciosa - toda feita em gritos! Agora mesmo é que eu queria gritar: SILÊNCIO! Mas se eu gritar será sussurro, porque o grito está abafado dentro de mim. E quanto mais grito: SILÊNCIO! Mais sussurro emana de meus lábios.

Maria não, Maria é puro grito. Um grito que ecoa em terras lavradas de estrume e milho.
Tenho dois palpites sobre o silêncio: um ele é vermelho-puro-sangue e outro verde-água-esmeralda, ambos pulsam dentro de mim. Mas qual dos dois será que ela escolheria? Não sei. Só sei que se soubesse mentiria. Porque a verdade dói demais e ela gosta da mentira nua e crua.
Maria com certeza é vermelho-puro-sangue. Ela é concreta. Ela é o meu disfarce. Ela existe para que eu possa dormir tranquila, sem incomodar a vizinhança.

Queria mesmo era pegar o silêncio, mas ele novamente escapou. Há silêncio sacrossanto dentro de mim. Há silêncio morno, pronto para ser vomitado.

Lilian Flôres