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sábado, 13 de outubro de 2018

FELICIDADE

Felicidade não é um estado. Felicidade é ser! Entre ser e estar existe um abismo. Estar é sentimento passageiro, onde hoje sinto, mas amanhã, nem sei o significado. Hoje quero, mas amanhã, nem sei do que gosto. Hoje preciso, mas amanhã? Bem, amanhã é uma eterna substituição.

Felicidade é ser! Ser feliz é uma escolha, como ser honesto, como ser caridoso, como ser trabalhador, como ser alegre, como ser gentil, como ser educado, como ser fiel, como ser ético... Ou vc é, ou vc não é! Não existe meio termo!

Ser feliz, é uma escolha que independe de onde estamos, com quem estamos e como estamos. Parece difícil imaginar uma pessoa feliz numa cama de hospital, numa sessão de quimioterapia, num processo doloroso de separação, de perda financeira, de morte de alguém querido...

Assim como é difícil imaginar tal contradição. Parece mais difícil ainda, imaginarmos pessoas bilionárias em depressão. Homens e mulheres fabricados em bisturis e academias, a procura de um amor verdadeiro. Famosos encarcerados pelo tempo que não tem com a família. Enfim, a roda gigante da vida, girando contra os sonhos.

Sim, vc pode não ter saúde plena e mesmo assim ser feliz. Porque junto com o infortúnio passageiro ou não, existe e existiram momentos felizes, como: o aconchego da família, as orações e preces, a união, o amor, o carinho, entre tantos outros pontos positivos, que só o sofrimento pode proporcionar. Quanta contradição! Às vezes parece que precisamos passar por momentos assim, para darmos o devido valor? Talvez! Porém, é sempre mais fácil, apenas olharmos o lado negativo, o lado ruim, a dor, a tristeza, as mazelas que rodeiam aqueles que buscam apenas momentos felizes.

Ser feliz é um estado de graça. Ser feliz é uma escolha! Ou vc escolhe se lamentar ou escolhe se alegrar, mesmo sofrendo. Ser feliz é uma decisão, em que vc decide dizer sim ou decide dizer não. Ser feliz é uma ação de mudança de atitude, de olhar, de querer... Já o estar feliz, é um estado de inércia, em que estou agora, logo, amanhã, estou infeliz. Estar feliz, é um sentimento egoísta, onde prevalece um momento ou momentos de felicidade. Estar feliz, é uma felicidade com data marcada, com prazo de validade, com um final inédito e imediatista, pra ontem, pra antes de ontem, pra agora, pra já! Estar feliz é para os fortes!!

Eu só creio na felicidade, aqui ou acolá, com alguém ou solitariamente, esperando ou não esperando sentimento recíproco; com dinheiro ou sem ele, com saúde ou na ausência dela, quando nos colocamos na presença de Deus.

Caso contrário, é vã filosofia, é vão desejo, é vã felicidade, é vã esperança! Tudo por Ele e para Ele, simplesmente pra que seu propósito se cumpra em nós. Pra que seus planos possam se concretizar, como Deus anseia e não como o homem deseja. Nosso desejo é efêmero, fugaz, egoísta, hedonista... Queremos o que julgamos melhor, para ontem e que gere prazer sempre.

Já o querer de Deus é pleno, completo, eterno, plural, vislumbrando o melhor pra nós. Porque essa vida é uma passagem breve e o melhor está sempre por vir: a eternidade! E é nela que devemos pensar e é para ela que devemos buscar forças de onde não temos, porque vai valer a pena, o que Deus tem preparado para aqueles que o amam e o temem!

Lilian Flores.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O DIA QUE SE CONHECERAM


O DIA QUE SE CONHECERAM...

Ela não esperava a visita repentina daquele homem, mas ficou feliz mesmo assim. Apesar de nunca terem se visto pessoalmente, ela tinha uma certeza desconcertante de que ele não era um desconhecido.
Mas o que ele sabia sobre essa desconhecida? O nome!
...
Ela não gostava de fotografias. Pra ela, a imagem é a distorção da alma, uma vã idolatria.
Já ele gostava de fotos. Até as colecionava.

Em meio aquela multidão, ele a procurava sem cessar. Procurava, porque nasceu para isso. Procurar lhe causava adrenalina. Procurar era como se tivesse escalando um penhasco ou correndo uma maratona. Procurar era seu lema. Às vezes, ele achava que havia encontrado e então sucumbia à felicidade. Mas de repente, percebia que não havia achado nada. Vazio. Continuava procurando insistentemente, porque procurar era uma forma de encontrar o que é invisível a olhos nus. Lia, ouvia e no silêncio apareciam algumas respostas, sempre.

Mesmo estando acompanhado de sua amiga, ou confidente, ou namorada... ele a procurava. Tinha uma absoluta certeza que aquela que estava ali, sentada ao seu lado esquerdo, é que era uma estranha. Apesar de saber quase tudo sobre ela, percebia que nada sabia. E ela, muito menos. Seu único desejo era apenas ter alguém. Isso era a plena felicidade! Mas ele queria mais, muito mais que a felicidade. Alguém ao lado era muito pouco...

Até que, no atraso das horas, ela apareceu. Ele ainda não havia lhe visto, mas sentia sua presença. Queria mexer o pescoço ou esticar os olhos para confirmar o que estava sentindo, mas não podia. Só tinha a certeza que ela acabara de chegar.

De repente, num piscar de olhos estavam frente a frente. O que dizer a uma mulher escandalosamente inquieta? Não sabia. O silêncio sempre era a melhor resposta. Mas lhe era proibido ficar mudo. Precisava dizer algo, mas não sabia como começar. Resolveu então, falar de tudo: ética, moral, fé, política, filosofia e de Deus...falou só o necessário para aquele primeiro encontro não programado.

Abraçaram - se três vezes e se despediram sorrindo daquela noite quase fria. Ele foi embora com aquela sensação de que, ela havia lido sua alma.

Lilian Flores
 



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Azul

Eu não poderia escrever esse texto se não estivesse utilizando tinta azul, porque outra cor seria traição e eu sou fiel. Fidelidade é azul como o mar e o latido do meu cachorro que grita: Saudades! Assim que me vê... Só que eu não o vejo e nem respondo seus lamentos. Apenas gosto de sentir os latidos ecoando em meus ouvidos, fazendo vibrar meus tímpanos, assim como os sinos vibram as vigas e as paredes da igreja matriz.É como se eu gostasse de vê-lo implorar por minha presença.


Outra coisa muito importante que é azul também: é a amizade. Ela nasce sem se pedir e só morre quando morremos. Assim como as flores do campo que nascem sem se plantar. E apesar de não darmos a devida importância, são elas que enfeitam as estradas, colorindo o mato verde e a poeira que há no meio do caminho. 

Assim também é a amizade que colori os dias cinzentos e as noites secretas que tentamos esconder de nós mesmos. Quando pensamos que está bem escondido, percebemos com seu doce olhar, que descobriu-se o que estaria atrás do pensamento. Depois de desvendado o mistério, só resta mesmo traduzir em palavras, sorrisos, lágrimas o que o olhar não disse. 


Ah! Lembrei... A felicidade também é azul. Mas eu tenho medo dela. Ela é silêncio acordado e sempre dorme na véspera. Ela tem um quê de felinidade, como os gatos: aparentam mansos e dóceis, mas quando o tocamos, tornam-se ágeis e vorazes. Temo o que não consigo sentir. 


Lilian Flôres